Apple lança hoje o novo iPhone 12. Fará diferença?

A não ser que os próximos iPhones venham com um par de asas que lhes permita voar ao nosso lado enquanto caminhamos, as diferenças serão incrementais

Fez a 5 de outubro nove anos que Steve Jobs morreu e a sua sombra na Apple está largamente reduzida aos arquivos e ao nome do auditório no campus que desenhou. Se o co-fundador da marca deixou ideias e desenhos para o futuro, todos se esgotaram nos anos que se seguiram à sua morte. Hoje, dia em que a Apple apresenta o seu próximo iPhone (ou próximos), não haverá a fanfarra e circunstância que um dia marcaram estas apresentações. Não é só porque a pandemia não deixa; é também porque, apesar de continuar a vender milhões de iPhones e ser uma das marcas mais influentes do mundo, aquilo que a Apple tem para mostrar deixou de ter a mesma relevância.

Numa nota, a analista Katy Huberty do Morgan Stanley escreveu que a expectativa é que este evento seja "o mais significativo" dos últimos anos. Desde 2017 que o visual do iPhone não sofre grandes transformações e é preciso recuar ainda mais, até 2014, para encontrar a última vez em que o alinhamento da Apple levou realmente uma grande volta.

Salvo uma grande inovação que apanhe o mercado na curva, não é expectável que os novos iPhones 12 representem uma grande pedrada no charco. Sim, vão ser os primeiros modelos Apple 5G, mas isso só é relevante dentro do universo iOS. A concorrência lançou modelos compatíveis com a nova geração móvel com fartura e não foi por aí que os consumidores varreram as lojas à procura deles.

Os rumores que sempre circundam estes lançamentos também apontam para que a Apple alargue o seu alinhamento em termos de tamanho de ecrãs e preços, o que é interessante mas não extraordinário. Teremos, se isto estiver certo, um iPhone 12 Mini, mais ou menos do mesmo tamanho que o iPhone 6, o iPhone 12 padrão, o iPhone 12 Pro e o iPhone 12 Pro Max, com um super-ecrã de 6,7 polegadas. Este último é praticamente um iPad Mini, cujo ecrã tem 7,9 polegadas. Não há bolsos que aguentem isto.

Ao nível do aspecto, consta que os cantos arredondados dos iPhones serão substituídos por um formato mais achatado. Claro, haverá centenas de melhorias ao nível do software, do processador e da câmara, mas nada que ponha os queixos no chão. A esta altura - e eu recordo que a morte dos smartphones foi extremamente exagerada - já se experimentou de tudo. A não ser que os próximos iPhones venham com um par de asas que lhes permita voar ao nosso lado enquanto caminhamos, as diferenças serão melhorias incrementais e não revolucionárias.

E será que isto fará diferença? A analista do Morgan Stanley acha que sim, porque prevê um crescimento superior a 20% das vendas de iPhones - para 220 milhões de unidades - no ano fiscal de 2021 da Apple (que começou em outubro). Os últimos anos têm sido de crescimento modesto ou nulo, com quedas nalguns trimestres, portanto uma previsão de subida de dois dígitos é relevante. E o facto de as vendas não terem sido estelares ultimamente ajuda a explicar a previsão de subida: muita gente tem o mesmo iPhone há vários anos e pode ser agora levada a fazer upgrade.

Será interessante ver também se a Apple vai ou não lançar novos produtos de áudio, tanto um HomePod mais barato como os novos AirPods que nunca apareceram no evento de Setembro.

Não, esta não é a Apple de Steve Jobs. A sua influência desapareceu há algum tempo. Embora a empresa esteja muito maior do que era quando ele morreu, e Tim Cook tenha feito um trabalho extraordinário em anos difíceis, falta-lhe aqui o pé teimoso do ex-CEO, a bater no chão e a emperrar as portas, com o seu campo de distorção da realidade a levar as ideias para lugares que se julgavam impossíveis. A Apple seguirá um colosso. Mas falta-lhe aqui a centelha do criador.

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