Opinião

Arrendamento: menos pode ser mais

(Fotografia: Rui Coutinho/ Global Imagens)
(Fotografia: Rui Coutinho/ Global Imagens)

Já não é novidade para ninguém de que arrendar uma casa, um quarto que seja, nos grandes centros urbanos é tarefa difícil. Isso deve-se a uma lógica de mercado, que está em alta, e a um evidente desequilíbrio entre oferta e procura. Não vale a pena estar a bater no ceguinho. As notícias sucedem-se e quase todos os dias as mesmas personagens vituperam as imobiliárias e os senhorios como os grandes predadores, aqueles que querem ganhar tudo de uma vez sem olhar a meios. Numa lógica de Conselheiro Acácio, repetem o mesmo mantra sempre que se lhes aponta um microfone ou uma câmara de televisão.

Mas vamos então falar sobre o arrendamento. A reportagem de um canal de televisão bateu todos os cantos da cidade de Lisboa e não conseguiu encontrar um espaço que alugasse quartos ou apartamentos a estudantes, passando o respectivo recibo. E pelo meio de uma série de razões que vão elencando, nunca aparece aquela que talvez é mais importante: o esbulho fiscal a que o sector está sujeito convida à fuga e acaba por ser muito mais pernicioso para o Estado do que aquilo que se julga.

O que se paga de impostos quando se decide investir no imobiliário em Portugal é absolutamente inacreditável. São os impostos de selo, municipais sobre imóveis, transmissão onerosa de imóveis, IVA, IRS, o imposto Mortágua se a casa é cara, enfim, um sem número de taxas e taxinhas que desanimam qualquer um. E depois, temos a “pièce de résistance”. É que quem é proprietário de um imóvel e o decide alugar, tem que pagar ao Estado 28 por cento (!!!!) da renda cobrada. Sim, leu bem. São 28 por cento. Numa renda de 1000 euros por mês, são 3360 euros por ano para os cofres do Estado. Mais, quem arrenda só tem um benefício fiscal até… 300 euros. Esta é a razão pela qual há cada vez mais quem arrisque os arrendamentos por detrás da cortina.

O Estado ainda não compreendeu que esta barbaridade fiscal afasta muita gente do sistema. Ainda não compreendeu que só tem a ganhar olhando de frente para o problema e perceber que não está a abrir mão de uma receita. Estará a criar condições para essa receita ser muito maior num futuro próximo. É fundamental rever o edifício fiscal que oprime o sector e perceber, de uma vez por todas, que todos ganham, em especial a economia. Uma política fiscal “saudável” atrai mais investidores, que por sua vez fomentam a construção, que alimentam outras atividades económicas. Todos ganham. Até os estudantes, que em Lisboa, Porto ou Braga conseguirão alugar um espaço com muito mais facilidade.

Ah, e se depois de ler estas linhas decidiu que não vale a pena arrendar o seu imóvel e que o vai vender não se esqueça: ainda terá que pagar mais-valias.

Miguel Aguiar, CEO KW Business

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Teste - Redação DV

Liberdade e sustentabilidade dos media, com ou sem apoio do governo?

Regime dos residentes não habituais garante isenção de IRS a quem recebe pensões do estrangeiro.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Primeiros 18 residentes não habituais prestes a perder benefício

Salvador de Mello, CEO do grupo CUF (Artur Machado/Global Imagens)

CUF vai formar alunos médicos de universidade pública

Outros conteúdos GMG
Arrendamento: menos pode ser mais