As renováveis ao serviço da biodiversidade

A par com a descarbonização, o tema mais relevante no domínio do ambiente vai passar a ser a preservação da biodiversidade e o restauro e recuperação dos ecossistemas. É esta a convicção do Ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, que fez questão de transmiti-la ao encerrar a conferência remota que abordou as práticas mais sustentáveis relacionadas com a energia eólica e a preservação e mitigação da biodiversidade: Wind Energy and Biodiversity Summit (WIBIS), organizada pela APREN a 27 e 28 de janeiro.

Se a importância dos benefícios provenientes da existência e preservação do estado natural dos ecossistemas já vinha a ganhar alguma força, a pandemia que assolou o país e o mundo transformou a a preservação da biodiversidade e a sua importância na sustentabilidade dos ecossistemas numa prioridade.

O Ministro João Pedro Matos Fernandes referiu que Portugal pode orgulhar-se de ser conhecido no mundo pelo que tem positivamente feito no campo das energias renováveis - visto que em 2020, 62% da nossa eletricidade teve origem em fontes de energias renováveis - no entanto, Portugal está longe de ser um exemplo em termos de conservação da natureza.

Curioso é observar, no entanto, que a aposta nas renováveis implicou sempre, direta ou indiretamente, a proteção da biodiversidade - desde logo pela redução de emissões associadas a esta opção e pelas medidas de mitigação e monitorização da evolução das populações das espécies que foram preconizadas.

Há vários anos que a atividade das renováveis em Portugal tem sido colocada ao serviço dos ecossistemas. Esta é uma realidade que perpassa as várias tecnologias.

Nas imediações das centrais eólicas sempre houve a preocupação de garantir a limpeza dos terrenos envolventes e a criação de faixas de acesso para facilitar o combate a incêndios e a sua prevenção. As centrais eólicas programam a redução de produção quando há passagem de fluxos migratórios das aves como forma de proteção das mesmas.

Nos empreendimentos hidroelétricos as escadas e elevadores de peixes facilitam a subida dos peixes para a desova contornando as barreiras físicas.

Já o solar fotovoltaico flutuante previne a utilização de área terrestre útil e evita a construção de novas linhas de acesso à RESP, pois aproveita as instalações existentes.

As empresas do setor colaboram na monitorização e recolha de dados, nomeadamente no mapeamento e monitorização da evolução das populações das espécies, ajudando o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas a manter a informação sobre as mesmas devidamente atualizada.

Há ainda programas, financiados em parte pelos produtores, que apoiam organizações que se dedicam à recuperação do Lobo Ibérico, por exemplo.

A União Europeia, atenta a este tema, já estruturou uma "Estratégia de Biodiversidade para 2030" de forma a "Trazer a natureza de volta às nossas vidas". Os compromissos propostos abrem caminho a mudanças ambiciosas e necessárias, que garantirão o bem-estar e a prosperidade económica das gerações presentes e futuras, num ambiente saudável.

Mais de metade do produto interno bruto europeu - cerca de 40 milhões de milhões de euros - depende da natureza. Não é de admirar por isso que a recuperação dos ecossistemas seja um dos elementos centrais do plano de recuperação financeira que contribui para restaurar a economia europeia.

Serão disponibilizados 20 mil milhões de euros (USA) por ano para a biodiversidade provenientes de várias fontes, incluindo fundos da União Europeia e fundos privados.

As alterações climáticas constituem uma ameaça grave à preservação e sustentabilidade dos ecossistemas por tudo aquilo negativo que potenciarão, desde o aumento da temperatura do planeta ao aumento do nível do mar, passando pelo desaparecimento de algumas zonas húmidas, redução dos níveis de humidade atmosférica e desertificação, para além do aumento dos ventos extremos, tempestades e incêndios sempre com consequências catastróficas em termos ambientais e socioeconómicos.

Como já sublinhou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Homem tem que fazer as pazes com a Natureza e encetar uma luta contra as alterações climáticas e surtos de doenças. É essa a filosofia do Pacote Ecológico Europeu (European Green Deal): uma estratégia que assenta no princípio de que é preciso dar mais ao planeta do que aquilo que se tira. Neste campo as renováveis continuarão a cumprir este papel colocando-se, dia após dia, ao serviço da preservação da biodiversidade.

CEO APREN, Pedro Amaral Jorge

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