Opinião

As vantagens de Portugal no mercado global das Tecnologias de Informação

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Com o advento da globalização e dos níveis elevados de competição, muitas organizações têm sentido dificuldades consideráveis no desenvolvimento e manutenção do leque de conhecimento e requisitos de que precisam para competir de forma eficaz. O surgimento de multinacionais nos diferentes continentes criou um ambiente competitivo que exige a globalização, ou pelo menos a “semiglobalização”, da estratégia corporativa. Além disso, com a evolução das tecnologias de informação e comunicação (TIC), as empresas não precisam ser grandes multinacionais para competir globalmente.

Expandir como?

A expansão global representa, no entanto, barreiras sérias no seu período inicial. Consideremos os obstáculos que encontramos na gestão e nas operações domésticas dentro de um Departamento de TIC, agora imaginemos essas mesmas dificuldades e transplantá-las entre nações e culturas. Em seguida, ainda temos que adicionar variáveis externas, como regulamentações económicas, turbulências políticas e falta de infraestrutura tecnológica. Com este panorama, a expansão global parece virtualmente impossível de implementar.

Mas não é – e a maior evidência é o facto de que as empresas estão a internacionalizar o seu negócio diariamente. O modelo económico atual é global, baseado em comunicação, cooperação e em transações transnacionais. O negócio de uma empresa deve inevitavelmente participar do processo de globalização, para que seja possível explorar os mercados e recursos estrangeiros que serão essenciais para a sobrevivência da mesma.

Para tornar um negócio global, devemos entender a evolução dos modelos económicos e tecnológicos na globalização: prós e contras, benefícios e barreiras. Saber quais são os países que são os “hotspots” de TIC de hoje e de amanhã. Devemos igualmente descobrir como implementar efetivamente as operações internacionais e gerir uma equipa global.

Nem todas as empresas procuram a expansão mundial através de uma única forma ou modelo. Algumas empresas estão gradualmente a mover-se em direção a um modelo global começando com pequenos passos, como a manutenção de uma aplicação móvel, o recrutamento de funcionários no exterior ou a terceirização de projetos de desenvolvimento no exterior como por exemplo o outsourcing, offshoring, nearshoring e onshoring.

Portugal como centro de competências em Nearshore

Fazendo um balanço das vantagens e desvantagens do nosso país como um destino para Nearshore, a conclusão é que são muito mais as primeiras. Desde o fuso horário, o tempo de viagem para outras localizações da Europa Central, a cultura de bem receber, a segurança, o clima, todas são mais valias quando comparado com os Países concorrentes.

No que diz respeito as TIC, para além do nível de qualidade das infraestruturas e comunicações e o incentivo à inovação, investigação e desenvolvimento, temos também a qualidade do nosso Ensino Superior tendo como reflexo a qualificação dos recursos humanos. Em última análise, são as pessoas que fazem a diferenciação nas empresas, seja relativa a vertente técnica, capacidades linguísticas, de adaptação a outras culturas, flexibilidade e tempo de resposta, o nível de qualidade é bastante alto e com valores bastante competitivos.

Competitividade Global, um desafio para encarar e vencer

A competitividade, que é superior quando comparada com os países de origem, mas com menos recursos e preços mais elevados que a concorrência direta (Polónia, Ucrânia, Bulgária e República Checa) é uma realidade em que não faz sentido numa ótica de futuro estar a apostar em estratégias de baixo custo como nesses Países. Devemos sim focar-nos em planos que permitam sermos diferenciadores na apresentação de soluções de vanguarda tecnológica. Só assim conseguiremos atrair empresas e tão ou mais importante, reter o talento existente, sabendo que a limitação no que diz respeito a oferta e procura de recursos qualificados tem se vindo a acentuar. Corremos o risco de não conseguir responder ao investimento feito de forma a poder promover o potencial dos nossos profissionais junto dos clientes.

Cabe a Portugal continuar a modernizar-se e, dessa forma, apresentar ainda mais condições para conquistar a confiança de Investimento Externo. É fulcral simplificar a burocracia administrativa e reformular o peso fiscal continuando a apostar forte nas tecnologias de informação e definindo uma estratégia com vista a um esforço comum entre o Estado, as Universidades, os clientes e os centros de competência que prestam serviços de Nearshore. Desta forma conseguiremos ser ainda mais atrativos nesta era global.

Abílio Duarte, Nearshore Unit Manager agap2IT

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