Opinião

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"Nas condições de retorno está a existência de um tecido empresarial forte e competitivo, que permita criar emprego, elevar a produtividade"

Embora em abrandamento, em 2017 Portugal manteve a trajetória de redução da população residente. Não sendo novidade, já constitui novidade a passagem para um saldo migratório positivo, que não ocorria desde 2010. A quebra ficou, assim, a dever-se exclusivamente à manutenção do saldo natural negativo, em virtude da, também exclusiva, diminuição da natalidade.

Esta nova realidade resultou do efeito conjugado do aumento da imigração e diminuição da emigração permanentes, tendência desde 2014, coincidindo com a retoma da economia.

Importante e preocupante, pelas consequências diretas no mercado de trabalho, é o índice de renovação da população em idade ativa, porque continua em queda e, fundamentalmente, porque, desde 2010, o número de pessoas em idade potencial de saída do mercado de trabalho não é compensado pelo de potencial entrada. Já temos sérios constrangimentos de mão-de-obra, queixa que tenho ouvido dos empresários.

As projeções apontam uma descida substancial da população em idade ativa de 6,7 milhões para menos de 5 milhões daqui a três décadas.
Este cenário exige o desenvolvimento de políticas ativas de atração e retenção de pessoas, sobretudo jovens qualificados que nos últimos anos deixaram o país em busca de um futuro melhor. Precisamos deste capital humano e esses jovens estão muito recetivos a regressar, desde que haja condições de retorno, como tive a oportunidade de auscultar no projeto Empreender 2020 – Regresso de Uma Geração Preparada, da Fundação AEP.

Nas condições de retorno está a existência de um tecido empresarial forte e competitivo, que permita criar emprego, elevar a produtividade e, consequentemente, o nível salarial.
Em tempo de reprogramação do Portugal 2020, o foco das políticas não poderá ser outro: criar condições de competitividade externa do país e do seu crescimento sustentável, potenciando o ambicionado “encontro win-win” entre os jovens que pretendem voltar e as empresas que cá estão e que necessitam do seu conhecimento e elevada capacidade.

Presidente da AEP – Associação Empresarial de Portugal

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