Opinião

Opinião. Austeridade. Episódio 2?

Fotografia: Mário Cruz/Lusa
Fotografia: Mário Cruz/Lusa

Numa sexta-feira, que curiosamente será dia 13, vamos conhecer o OE para 2018.Vamos defrontar-nos com um documento realista ou eleitoralista?

A fatia de cidadãos que poderão ficar sem pagar IRS – dependendo das possíveis alterações ao chamado “mínimo de existência” que venham a ser declaradas no âmbito do Orçamento do Estado para 2018 -, poderá ser uma fatia gigante da sociedade portuguesa. Como vai o Ministério das Finanças repor essa potencial ausência de receitas de milhares de contribuintes caso ceda às pressões dos partidos mais à esquerda que compõem a geringonça? Onde vai o ministro Mário Centeno buscar esse dinheiro caso o tal “mínimo de existência” venha a ser alterado? Vai de novo penalizar a classe média e taxá-la com mais impostos?

Numa sexta-feira, que curiosamente será dia 13, vamos conhecer o documento do Orçamento do Estado para o próximo ano. Será que vamos defrontar-nos com um documento realista ou eleitoralista? Depois, na vitória do PS nas autárquicas, estará o Partido Socialista e os restantes dois partidos do poder a preparar já a reeleição para as próximas eleições legislativas?

As manchetes que têm vindo a público não são as mais animadoras para a classe média, por isso mesmo se justifica levantar aqui tantas perguntas. A classe média fica indignada quando ouve e vê nas televisões várias notícias acerca da isenção de IRS para mais e mais pessoas.

Hoje, do total de contribuintes que entregam declarações de IRS, já só metade paga efetivamente esse imposto. Se se alterar o “mínimo de existência”, no sentido de beneficiar mais cidadãos, um dia destes ainda vamos dar a notícia de que só paga IRS metade dessa metade. Nos últimos meses, todos os portugueses têm estado otimistas graças a indicadores comportamentais – tema que nesta semana até mereceu a atribuição de um prémio Nobel da Economia a Richard Thaler, da Universidade de Chicago.

Mas podemos continuar otimistas em relação à justiça social, ao alívio real da carga fiscal para a classe média, às medidas de captação e de incentivo ao investimento privado nacional e estrangeiro, às medidas e ao investimento efetivo em ações preventivas e de combate à seca e aos incêndios florestais? É sobre isso tudo que aguardamos respostas na sexta-feira, 13 de outubro.

Há muito que a troika nos obrigou a deixar de acreditar no Pai Natal, mas também não queremos acreditar na superstição que diz que o dia 13 é sempre dia do azar. Até porque 13 (de maio) é dia de Nossa Senhora de Fátima. Haja fé para continuar a trabalhar, a investir, a exportar e acreditar num país melhor.

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