Opinião

Avaliar o risco de fraude

Cuidado com as fraudes

Fazer uma análise de risco de fraude exige conhecimentos sobre experiências passadas e modelos de análise de atuação.

As fraudes aviltam as relações éticas ou violam as leis vigentes, deterioram as relações sociais, económicas e políticas. Mais vale prevenir (as fraudes) do que remediar (os estragos por elas causados).

Mas as fraudes não são imediatamente visíveis, usam o engano e o fingimento, e podem existir anos, ou sempre, sem serem descobertas (ver https://obegef.pt/wordpress/?p=41760).

Para as prevenir é preciso todos nós estarmos atentos ao risco de fraude.

Estar preparado para o verificar e como a fraude se pode processar, exige que admita (quase) sempre a possibilidade de estar a ser enganado nos seus atos e bens e se coloque na posição do defraudador para antever as suas formas de atuação. Perante a análise a que proceder há que encontrar as formas de prevenção, de parar ou dificultar a ação do eventual defraudador, seja ele outro cidadão ou uma instituição, sozinho ou conluiado, podendo a fraude resultar do aproveitamento de uma oportunidade ocasional ou fruto de uma atuação sistemática.

Alguns exemplos muito simples:

Se participa num concurso em que o apuramento dos vencedores não é público e fiscalizado, se aproveita promoções sem previamente controlar os preços médios dos bens, provavelmente está perante um maior risco de fraude.

Se na sua empresa não há uma boa relação da administração com os funcionários, se não há formas de controlo e atuações surpresa, se admite espontaneamente que as fraudes só acontecem ao vizinho, o risco de fraude é grande.

Se há uma grande densidade de conflitos de interesse (ex. relações de proximidade entre concorrentes e avaliadores) num concurso para uma adjudicação de uma obra, há maior risco de fraude.

Se no contexto social de referência há níveis elevados de fraude e uma baixa crítica a tais comportamentos ou menor probabilidade de ser capturado (ciclo vicioso), tende a aumentar significativamente o risco de fraude.

Não é um exercício fácil. Fazer uma análise de risco de fraude exige conhecimentos sobre experiências passadas e modelos de análise e de atuação. Contudo, mesmo que os não possua, se estiver atento e alertado poderá certamente evitar o desperdício de recursos e evitar dissabores.

Seja interveniente! O Observatório de Economia e Gestão de Fraude está disponível para ajudá-lo.

Sócio-fundador do Observatório de Economia e Gestão de Fraude

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