Opinião

Avanços na pesquisa oncológica e impacto na qualidade de vida para séniores

Sérgio Dias (Jorge Amaral/Global Imagens)
Sérgio Dias (Jorge Amaral/Global Imagens)

O impacto das doenças oncológicas é significativo: uma vez mais à escala mundial, quase 10 milhões de pessoas morreram devido a diferentes tipos de cancro, em 2018.

Com o aumento da esperança média de vida, a ocorrência de doenças oncológicas aumentará significativamente. À escala Mundial foram registados 17 milhões de novos casos de cancro em 2018; prevê-se que haja cerca de 28 milhões de novos casos de cancro em 2040. O impacto das doenças oncológicas é significativo: uma vez mais à escala mundial, quase 10 milhões de pessoas morreram devido a diferentes tipos de cancro, em 2018. Em Portugal, o número de casos de cancro e de morte devido a cancro (“tumores malignos”) tem vindo a aumentar de forma consistente; as mortes devidas a cancro representam 24% do número total de óbitos por doença, segundo estatística da Pordata.

Importa também salientar que cerca de 70% das mortes por cancro ocorrem em países de nível económico médio ou baixo. O impacto económico deste conjunto de doenças é também importante e tem aumentado: calcula-se que em 2010 o custo económico atribuído ao cancro tenha sido cerca de 1.16 triliões de dólares americanos. Os tipos de cancro mais frequentes são: pulmão, mama, colorretal, próstata, tumores da pele, estômago, ao passo que os cancros com maior mortalidade associada são: pulmão, colorretal, estômago, fígado, mama.

O risco individual de vir a desenvolver cancro depende de vários fatores entre os quais idade, risco genético familiar e exposição a fatores de risco. Os fatores de risco para cancro são idênticos à escala mundial (embora possam apresentar algumas particularidades regionais), e incluem: consumo de tabaco (fumar), sedentarismo, consumo de álcool, obesidade ou excesso de peso e infeção por certos agentes infecciosos (vírus e bactérias).

Quais as principais razões pela elevada mortalidade associada a cancro, e de que forma essas razões poderão ser colmatadas pelos avanços da investigação oncológica? A principal razão diz respeito à deteção precoce do cancro. Na maior parte dos casos, a deteção precoce de um cancro (o seu diagnóstico atempado) reduz em muito o seu impacto clínico e a sua resposta clínica.

Neste âmbito, a biologia molecular e a sua aplicação têm sido fundamentais para a melhoria dos diagnósticos de cancro, e para a sua estratificação em subtipos clínica e biologicamente distintos, que respondem de forma distinta a terapias dirigidas.

Dentro do vasto espetro dos fármacos “dirigidos”, destaco naturalmente as terapias dirigidas aos recetores hormonais, no cancro da mama. De facto, a descoberta da sua importância e a utilização de terapias dirigidas para o bloqueio da função desses recetores, permitiu diminuir em muito a mortalidade associada a este subtipo de cancro de mama.

De forma muito resumida, a investigação oncológica pretende contribuir para: percebermos a contribuição genética para o desenvolvimento de cancro; a deteção precoce do cancro; a descoberta de mecanismos moleculares fundamentais à sobrevivência das células de cancro; o desenvolvimento de fármacos dirigidos de forma específica às células do cancro ou ao seu ambiente, reduzindo a morbilidade (efeitos secundários) indesejáveis. Assim, contribuirá para uma clara melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Sérgio Dias é investigador principal no Instituto de Medicina Molecular (iMM) e professor associado convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

Fontes bibliográficas: Pordata; Cancer Research UK; World Health Organization (WHO).

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