Benchmarking. Só as melhores práticas, também as boas ou mais do que isso?

Temos sempre uma perspetiva de ver o mundo que pode oscilar entre dois extremos: o excesso de ceticismo e a rejeição contínua ou a crendice sem filtro nem capacidade de análise. Para cada tema - seja político, religioso, de saúde, etc. - o nosso "cursor" vai percorrendo o intervalo entre esses dois extremos consoante o nosso racional, mas, principalmente, movido pela nossa parte emocional, isto é, anseios, desejos, ódios, paixões, medos, complexos, etc.

Quando, na nossa vida profissional, andamos sempre recetivos a ver exemplos que possam trazer melhorias ao funcionamento ou diferenciação positiva, aparecem sempre os chavões das "melhores práticas". Também aqui se registam duas tendências encostadas aos dois extremos do "espetro" reativo:

Ceticismo, que pode levar a rejeitar a ideia, embora ela no seu todo ou em parte possa ter valor se analisada e devidamente transportada para a nossa realidade ajustando a ideia ao país, à região, ao estado de desenvolvimento do mercado ou ao perfil dos Clientes desse setor;

Ou seguimento acéfalo e tentativa de implementação sem acautelar as transposições referidas no parágrafo anterior.

Este fenómeno do seguimento acontece cada vez mais fruto da crescente influência das redes sociais, enxameada de "gurus e influencers" que apelam ao mais emotivo de cada um chegando a ridicularizar a parte racional que possa estar a tentar introduzir análise, ciência, prudência e clareza nas decisões. Daí surgirem anacronismos como factos "alternativos", verdades "alternativas" e até mesmo ciências "alternativas".

Face a este panorama, é obrigação de um gestor não se "encostar" a nenhum dos extremos, procurando destrinçar as ditas melhores e boas práticas, analisando cautelosamente os seus resultados. Se após uma análise merecerem o teste na nossa realidade, que esse teste seja feito conhecendo as condições e o âmbito onde vai ser aplicado com uma análise dos resultados, crítica, mas construtiva. Mesmo que estejamos a falar apenas de replicação de processos puramente operacionais, temos de analisar as regras, leis, contexto do mercado e até hábitos sociais para verificar se se justifica a plena aplicabilidade.

O benchmarking torna-se ainda mais crítico quando as práticas envolvem pessoas, atendendo aos fatores emocionais envolvidos.

Como exemplo macro na área industrial, podemos ver o documentário "American Factory" sobre a implementação de uma fábrica chinesa nos Estados Unidos e as consequências da adaptação/transposição de processos e de gestão de pessoas entre os dois universos sociais profundamente diferentes.

Também nunca nos devemos esquecer que a aplicação de uma boa prática, por melhor que seja, nunca deve substituir a criatividade de criar boas práticas de raiz, pois só isso assegura uma diferenciação consistente no mercado. Ou seja, deve haver a complementaridade de adaptar, mas também de criar boas práticas sempre com o espírito aberto e com o ceticismo q.b., usados como ferramentas analíticas para filtrar a crescente quantidade de lixo informativo que nos rodeia.

O nirvana de criatividade e inovação será quando a nossa boa prática se tornar a melhor prática para os outros.

Diretor Comercial e Marketing Estratégico da RHmais

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