Opinião: Ricardo Pinto

Blockchain 2.0, a próxima inovação disruptiva está ao virar da esquina

A tecnologia Blockchain é promissora para diversos sectores económicos, a nível da otimização e da melhoria de competitividade.

O interesse de players de setores financeiro, logístico, saúde ou segurança por esta inovação tem-se traduzido numa aposta séria em investigação e no desenvolvimento de propostas que partem do caso de sucesso do Bitcoin, moeda virtual lançada em 2008. Entretanto, o debate continua e a implementação prática de soluções em Blockchain com resultados práticos ainda está no início.

Validação de dados em tempo real

O Blockchain resolve um problema de consensos de dados de forma célere, segura e monitorizável. Numa operação financeira, por exemplo, esta tecnologia permitirá a confirmação de transações internacionais em tempo real. Atualmente, antes de serem validadas na conta do recetor, estas têm de ser aprovadas e consolidadas por entidades bancárias, implicando custos e tempo de manuseamento, dois fatores que tanto bancos e clientes ambicionam que sejam otimizados. O carácter disruptivo desta tecnologia está na troca automática de dados entre participantes da relação, com rastreamento, segurança, otimização de recursos e custos.

Partindo dos princípios da moeda virtual Bitcoin, esta tecnologia permite a criação e gestão de uma base de dados distribuída por operadores que dela beneficiem. A gestão da corrente de “blocos” tem a particularidade de se fazer sem uma autoridade central, sendo o consenso garantido por todos os operadores que beneficiam desta troca de informação. A filosofia que está por detrás da validação automática e da garantia de uma obtenção de consensos transversais está assente nos cânones de independência e de partilha “peer-to-peer” da internet.

Afinal, o que falta para que a tecnologia Blockchain seja implementada em setores de negócio?

São já vários os casos de sucesso de Blockchain aplicados em setores e empresas que gerem grande volume de dados. A Maersk, o maior operador logístico mundial de contentores, testou com sucesso a aplicação de Blockchain no transporte de cargas. Um sistema foi implementado e gerido entre diversas partes – transportadora, alfândega da Holanda, Segurança Nacional Americana, permitindo um acompanhamento remoto do transporte pelas três partes. Além de reduzir tempo e custos em burocracia, mostrou ser promissora na melhoraria de gestão logística ao identificar contentores vazios ou capazes de receber bens extra.

Se as características são promissoras e a tecnologia já está madura, a sua generalização dependerá apenas das autoridades que regulam os mercados, e de pioneirismo das marcas que valorizam nela o poder para melhorar os seus serviços e produtos.

Usando o mercado financeiro como exemplo, o sucesso de transações de valores em Blockchain está dependente da regulação de Estados e entidades internacionais. A tecnologia já está em uso em mais de 600 moedas virtuais, das quais o Bitcoin é o nome mais conhecido. Países como a Islândia e o Japão dão os primeiros sinais de adoção de “cryptocurrencies”, mas há um processo longo pela frente até à adoção geral desta tecnologia.

Estará a economia mundial preparada para o Blockchain?

Ricardo Pinto é Diretor R&D agap2IT

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