Opinião: Rosália Amorim

Brexit. Sim, devemos estar preocupados

REUTERS/Toby Melville
REUTERS/Toby Melville

Um não acordo entre a União Europeia e o Reino Unido, no âmbito do doloroso brexit, seria o pior que poderia acontecer à economia portuguesa.

Sobretudo nos setores do turismo, em que não podemos esquecer os aeroportos, na construção e imobiliário e no setor do vinho do Porto, o embate será gigante se não se chegar a um entendimento.

A tudo isto junta-se a desvalorização da libra face ao euro, consequência do brexit, que tem levado à queda do turismo britânico, que é o maior emissor de turistas para Portugal.

Perante este desfecho, ficam em causa os acordos de livre circulação entre o Reino Unido e a União Europeia, o que poderá implicar alterações na regulação, nos custos e nas dificuldades para as empresas portuguesas. Para os cidadãos lusitanos que vivem naquele território a situação também não é simples, pois passando a ser um país terceiro vai ser necessário tratar de vistos de residência.

O hard brexit ainda não revelou qualquer virtude, pelo menos visto do prisma nacional. Ainda assim, o presidente da AICEP está otimista e diz, em entrevista ao Dinheiro Vivo, acreditar que as empresas portuguesas vão conseguir adaptar-se à nova realidade pós-brexit, mesmo sem acordo. Até podem fazê-lo, porque os portugueses já são doutorados em desenrascanço e em dar a volta perante situações económicas difíceis, mas o preço a pagar por isso pode ser muito alto.

Poucos eram os que acreditavam ser possível chegar ao ponto a que se chegou, assistindo em direto pelas televisões ao chumbo do acordo no Parlamento britânico. Talvez por isso o governo português tenha acordado um pouco tarde para o tema e a comissão de acompanhamento do brexit fosse lenta na atuação. Só mesmo na véspera e no dia em que o acordo não passou é que se anunciaram algumas medidas, quando, na minha opinião, preventivamente poderiam ter sido anunciadas antes, por forma a minorar futuras curvas descendentes na relação económica da mais velha aliança do mundo.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Imagem de 2016 sobre as filas no atendimento para obter o passe do Metro, esta tarde na estação do Campo Grande em Lisboa. 
( Pedro Rocha / Global Imagens )

Passe Família já pode ser pedido. Mas prepare-se para a burocracia

Imagem de 2016 sobre as filas no atendimento para obter o passe do Metro, esta tarde na estação do Campo Grande em Lisboa. 
( Pedro Rocha / Global Imagens )

Passe Família já pode ser pedido. Mas prepare-se para a burocracia

Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

Programa Regressar arranca. Governo dá incentivo até 6500 euros a emigrantes

Outros conteúdos GMG
Brexit. Sim, devemos estar preocupados