Buy now, pay later: O crédito ao consumo chegou ao mundo digital. Quem ganha?

A digitalização da economia, a expansão do comércio eletrónico e a importância crescente dos millennials e da chamada Geração Z, estão a conduzir a um movimento de profunda transformação e inovação das empresas em todo o mundo, e que se reflete na disponibilização de soluções mais ágeis e cómodas. É neste novo mundo, cada vez mais digital, que surge o buy now, pay later (BNPL) - uma solução que está em rápida ascensão. E não é difícil perceber porquê.

Em termos resumidos, o buy now, pay later é uma solução de crédito ao consumo especialmente desenhada para o comércio eletrónico e que se caracteriza pelo facto de prever um processo de aprovação de crédito rápido, quase instantâneo, com taxas de juro muito reduzidas. Desta forma, e através do BNPL, o crédito ao consumo que até ao momento era feito nas lojas é agora transportado para o mundo digital.

Só no ano passado as transações BNPL geraram um volume de 97 mil milhões de dólares, o equivalente a 2,1% do mercado global do comércio eletrónico. E as estimativas apontam para que o peso destas transações no ecommerce duplique até 2024. Não é, pois, de estranhar que gigantes como a Mastercard, a Apple e a Amazon estejam de olhos postos nesta nova solução.

O sucesso e a crescente adesão a este serviço assenta na simplificação e comodidade do processo. O consumidor entra na loja online, coloca no seu carrinho de compras os bens que quer adquirir e, quando chega ao checkout, clica no ícone relativo à opção de pagamento buy now, pay later. É então aberta uma janela pop-up da entidade financeira que concede o crédito, onde o consumidor insere os seus dados e o seu pedido de crédito é avaliado em poucos minutos. Desta forma, evitam-se os processos de análise de crédito demorados e o consumidor não precisa de interromper a sua sessão de compras para solicitar o crédito, uma vez que esta solução está perfeitamente integrada na jornada de compra.

Além da simplicidade do processo, o BNPL atrai cada vez mais consumidores, sobretudo pelo facto de ser uma solução de crédito ao consumo barata, quando comparada com os juros cobrados nos cartões de crédito. Imagine o caso de um consumidor que quer adquirir numa loja online um "smartphone" no valor de 500 euros. Se esta compra for realizada com o cartão de crédito e o pagamento for dividido em cinco prestações, o consumidor irá pagar cerca de 125 euros por mês. Ao passo que através do BNPL, o valor da prestação mensal rondará os 105 euros.

Estamos assim perante uma nova solução para realizar compras online que vai beneficiar todos os players envolvidos no ecommerce. Se não vejamos: os big merchants encontram no buy now, pay later uma solução que lhes permite reduzir substancialmente a taxa de abandono dos carrinhos de compras e efetivar vendas que poderiam nunca vir a ser concretizadas.

Os pequenos retalhistas são também um dos grandes beneficiários desta nova solução, porque passam a disponibilizar uma ferramenta de crédito ao consumo para os seus clientes - algo que lhes estava vedado, por não terem a dimensão, nem as infraestruturas necessárias para oferecerem esta opção.

Por outro lado, esta é também uma oportunidade de negócio única para os bancos tradicionais: o BNPL é uma porta de entrada para o mundo digital, permitindo aos bancos levar o crédito ao consumo dos seus balcões diretamente para os "smartphones" dos consumidores.

Mas, em última instância, ganham os consumidores: passam a ter acesso a uma solução de crédito ao consumo rápida, acessível, cómoda e barata quando fazem compras online. Com a vantagem adicional do processo não ter intermediários.

À primeira vista parece simples, mas nos bastidores desta solução existe todo um trabalho de desenvolvimento tecnológico que só é possível graças à inovação e ao "know-how" fornecido pelas fintechs. O "buy now, pay later" é, pois, um bom exemplo de como as sinergias entre o setor financeiro tradicional e as "fintech" são um bom caminho para encontrar uma resposta ágil e eficaz aos problemas e necessidades atuais dos consumidores e das empresas.

Sebastião de Lancastre, CEO & Founder easypay

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de