Campeonato europeu

Sem termos de comparação, afirmações como "somos bons" tanto pode revelar complacência, presunção ou ignorância. Em pleno campeonato europeu de futebol, mesmo sujeita a alguns sortilégios, veremos quão boa é a nossa seleção. Na economia, ter sorte dá trabalho. Há países a quem a natureza dotou de múltiplos recursos, sem que daí adviesse boa fortuna (por exemplo, Angola). Na atual pandemia, somos penalizados por dependermos muito do turismo, mas essa foi uma opção e um risco que quisemos correr.

O nosso crescimento, neste século, é residual. É um dado objetivo. As comparações acentuam o juízo: na Europa, apenas a Itália, talvez a Grécia, tiveram pior desempenho. Como resultado, no âmbito da União Europeia, um após outro, fomos sendo ultrapassados por países que, ainda há poucos anos, estavam bem longe de nós. Será fatalidade?

Nos próximos 10 anos, contando com o que falta executar do PT2020, o PRR e o PT2030, estará disponível um montante de fundos nunca visto. Usá-los bem ditará o futuro das próximas gerações. A economia não é uma ciência exata, porém algumas regularidades emergem: as instituições, entendidas num sentido lato (não apenas as agências ou empresas, mas também o sistema legal, regras, acordos e práticas que estão enraizadas na cultura e na sociedade), são decisivas. Apesar de bons exemplos com que nos comprazemos (e enganamos), há muito a melhorar, desde mercados mais competitivos e melhores práticas de gestão até à justiça, à educação de base e ao sistema de saúde.

Não é Estado ou iniciativa privada. É Estado e iniciativa privada. E aqui é que está o busílis da questão: enquanto o governo (ou, pelo menos, parte) o parece reconhecer, os parceiros que escolheu não: esmagar o privado, não vá o benchmark ser desfavorável - como nas PPP da saúde ou os rankings das escolas - é a palavra de ordem. Em vez de tirar lições para melhorar. Os sinais são preocupantes: anunciam-se contratações várias, gastos por conta, continuando a atirar dinheiro para cima dos problemas, sem lógica, peso ou medida. Oxalá nos safemos no futebol!

Alberto Castro, economista e professor universitário

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