Cannes: Façam as suas apostas

Acho aborrecido falar sobre a publicidade tendo como base a própria publicidade. Lembra-me alguma aulas de semiótica que tive na faculdade

Às vezes pode não parecer mas o espaço desta coluna é dedicado fundamentalmente à publicidade. Se falo sobre literatura, cinema, televisão, história de almanaque, psicologia tasqueira ou sociologia de pacotilha é porque acho que a publicidade é sempre um reflexo de tudo o que a sociedade vê, sente, pensa.

Acho aborrecido falar sobre a publicidade tendo como base a própria publicidade. Lembra-me alguma aulas de semiótica que tive na faculdade ou aquelas críticas de cinema pseudointelectuais, no fundo, tentativas estéreis de descobrir chifre em cabeça de vaca.

Mas o aproximar do Festival Publicitário de Cannes (de 18 a 25 de Junho) liberta-me de alguns pruridos. Toda gente gosta de fazer ou de ler listas. Segue uma sobre as alguns trabalhos que acredito sairão vencedores em Cannes:

1/ Volvo – Highway Robbery (by Grey New York)

Uma ideia um pouco maluca executada de forma brilhante. E se construíssemos uma engenhoca capaz de capturar a energia deixada pelos carros numa estrada devido aos seus movimentos? E se essa energia pudesse ser utilizada para abastecer um carro eléctrico? Faz-se isto numa estrada em Los Angeles para ficar com mais cara de cinema. Transforme isto num vídeo com alto potencial viral. Corra para receber os prémios. Anoto a presença do português João Coutinho como um dos criadores da peça (a par do brasileiro Marco Pupo).

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2/ Tidal – Chains – Usher (by Akqa)

Mais um dobradinha luso-brasileira vitoriosa. Hugo Veiga e Diego Machado assinam este projeto que mistura música e tecnologia. Como diz o meu Tio Olavo, o ser humano não presta quando ninguém está a ver”. Ninguém se assume racista, ninguém é favor da violência. Mas é fácil virar a cara quando assistimos uma cena de violência racial ao vivo ou na TV. Mas não com este vídeo. De forma interativa, ao assistir ao clip da canção “Chains”, do cantor americano Usher, sempre que desviar o olhar das imagens, coisas vão acontecer.

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3/ Estadão – #7Minutes1Report (by FCB Brasil)

Longe vão os tempos em que as mulheres eram tratadas como objetos na publicidade e estava tudo bem. Desvios machistas ainda acontecem aqui e ali mas a regra agora é outra. Defender os direitos das mulheres torna-se um tema cada vez mais relevante para as marcas que queiram demonstrar que são boas cidadãs. Neste caso, o jornal Estado de São Paulo bancou uma campanha através do Twitter. A cada sete minutos um tweetie era publicado na conta do jornal a comentar um caso de violência contra mulher. Isto servia para denunciar a estatística de que a cada sete minutos uma mulher é vítima de violência no Brasil. Simples. Forte. Eficaz.

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4/ Ministerio del Ambiente Perú – Gallinazo (by FCB Peru)

Como transformar um pássaro com fama e cara de vilão num super-herói do dia-a-dia? Os gallinazos são uma espécie de abutre (urubus no Brasil) que comem lixo. Colocaram câmaras e aparelhos GPS nos que sobrevoam Lima, capital do Peru. Com os aparelhos ligados à uma aplicação, os gallinazos passaram a avisar às autoridades e à população onde estão terrenos transformados em depósitos de lixo clandestinos. Brilhante.

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5/ John Lewis – Man On The Moon (by Adam & Eve DDB)

Para terminar, um bonito conto de Natal. Uma rapariguinha descobre que na Lua vive um solitário idoso. Ela não descansa enquanto não encontra uma maneira de se comunicar com ele. A solução envolve balões de gás, uma luneta e a noite de Natal. De fazer chorar a pessoa mais insensível do mundo.

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