Opinião: Rosália Amorim

“Cautela”, a palavra que marca este verão

Foto: EPA/FACUNDO ARRIZABALAGA
Foto: EPA/FACUNDO ARRIZABALAGA

O Banco de Inglaterra pode dizer que o impacto do brexit naquela economia será “suave”, mas poucos acreditam nisso

Contrariando a realidade que se vê nesta altura, por exemplo no Algarve, em que os britânicos contribuem para estimular o consumo e o investimento em Portugal, pelo país de sua majestade regista-se uma nova queda do consumo, pelo terceiro mês consecutivo. Em todo o Reino Unido os cidadãos estão a gastar menos com as despesas da casa, de alimentação e transporte. Estas são as rubricas mais afetadas pela contração dos gastos.

Cerca de um ano depois de os eleitores terem votado a favor do brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), o jornal Financial Times dá conta de que só no último mês o consumo caiu 0,8% em termos homólogos. E que o preço das casas também sofreu a apreciação mais baixa dos últimos quatro anos, o que em nada ajudou à dinâmica da economia. E o facto de a libra ter depreciado em mais de 10%, desde que houve o voto pelo sim do brexit, também está a penalizar fortemente aquele mercado.

Se por cá ficamos com a noção de que os britânicos estão em força de férias no Algarve, a gastar e a comprar residências, por outro lado os que lá ficaram não saíram mesmo das quatro paredes de casa e estão a gastar cada vez menos em hotéis e em restaurantes. São cidadãos apreensivos e que temem o futuro. E esse sentimento arrefece aquela economia, mesmo em pleno mês de agosto.

Por cá não se sente esse arrefecimento, já que o Reino Unido ainda é o nosso principal mercado emissor de turistas e nos primeiros cinco meses deste ano as dormidas destes turistas aumentaram e já tinham gasto mais 15% até maio, face ao mesmo período do ano anterior. As incertezas do Reino Unido poderão beneficiar o nosso país no curto prazo, mas não no longo prazo.

Neste mês, o Banco de Inglaterra fez uma revisão em baixa das perspetivas para aquela economia e também para os salários para 2017 e 2018. Mark Carney, que lidera o banco central britânico, antecipa que o produto interno bruto (PIB) avance neste ano apenas 1,7%, ou seja, abaixo dos 1,9% anteriormente previstos. E para o próximo ano adianta só 1,6%, contra os 1,7% em que antes acreditava.

Esta decisão prende-se com as muitas nuances do brexit que ainda estão por conhecer. Nuances essas que influenciaram, há poucos dias, o banco central a deixar inalterada a taxa de juro, nos 0,25%. O Banco de Inglaterra pode dizer que o impacto do brexit naquela economia será “suave”, mas poucos acreditam nisso e “cautela” é já a palavra que marca este verão no Reino Unido.

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