Opinião

Censura a cargo de algoritmos

Fotografia: Vincent Kessler/ Reuters
Fotografia: Vincent Kessler/ Reuters

O parlamento europeu aprovou uma diretiva que prevê que o conteúdo publicado em redes sociais terá de ser passado por filtros de copyright.

É domingo, fomos à bola ver o clube favorito e publicamos no Facebook uma foto da vitória no estádio? – censurado. A história de instagram com a música de fundo favorita? – censurada. Os reviews e opiniões de produtos, serviços que tanta vezes fazemos ou seguimos nas redes sociais? – censurados.

O parlamento europeu aprovou esta semana uma diretiva que prevê que o conteúdo publicado em redes sociais por qualquer plataforma terá de ser passado por filtros de copyright que examinem esse conteúdo e os censurem caso contenham elementos que possam representar uma violação de direitos de autor.

A verdade é que a internet se tornou parte de tudo o que fazemos. Um jogo de futebol não é o mesmo se não for comentado em tempo real, e imortalizado numa qualquer rede social. Esta tentativa de policiar e preservar os direitos de autor acabou por atrair lobistas e políticos barulhentos, em vez de trazer para a discussão as partes implicadas.

O facto de se ter conseguido convencer políticos, artistas e criadores de conteúdo de que há uma tecnologia capaz de filtrar esse mesmo conteúdo e apenas publicar o que foi devidamente licenciado, não torna isso possível do ponto de vista tecnológico. A realidade é que a tecnologia capaz de filtrar este conteúdo de forma inteligente não existe, o custo de a desenvolver só poderá ser suportado por muito poucas empresas (talvez os gigantes tecnológicos), e demorará largos anos até poder ser usada num contexto real.

Em termos tecnológicos, este é um problema semelhante a filtrar conteúdo violento, nudez ou terrorismo nas redes sociais. A tecnologia existente ajuda a identificar algum deste conteúdo, mas está muito longe de ser suficiente. Isto explica que o Facebook tenha uma equipa de dez mil pessoas a fazer este trabalho manualmente. E estas pessoas não vão ser substituídas no curto prazo por um qualquer algoritmo de Inteligência Artificial, pelo contrário. Esta será a equipa que terá maior crescimento no Facebook durante o próximo ano e chegará às vinte mil pessoas de acordo com o plano de crescimento da empresa.

Os techies e experts que foram consultados no processo foram acusados de falta de visão de futuro e aprovou-se uma diretiva assente na ignorância e que representa um atentado à nossa liberdade e ao modelo aberto que é a internet hoje.

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