Opinião

Centeno. Acima de tudo deve estar o todo

Mário Centeno. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante
Mário Centeno. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante

Gerar consensos é a única maneira de avançar, temos de aprender com as lições dos outros”, disse o ministro das Finanças português a propósito da sua eleição para presidente do Eurogrupo. Mário Centeno pode não ter o “sorriso perfeito Pepsodent” de outros ex-ministros, pode não ser o ministro das Finanças com quem os contribuintes sonham à noite, mas, depois de nos últimos dois anos ter conseguido responder às dúvidas em Portugal e em Bruxelas quanto à capacidade de cumprir regras, reduzir o défice e fazer a economia crescer, conseguiu conquistar os corações gélidos europeus e as mentes mais antipaíses do Sul que ainda persistem entre os tecnocratas instalados nas cadeiras do poder do Velho Continente.

O já antes apelidado de Cristiano Ronaldo das Finanças acabou por derrotar os três adversários, os homólogos da Letónia, do Luxemburgo e da Eslováquia. Uma hipótese que começou por gerar incredulidade tornou-se um facto real, noticiado em toda a Europa.

Foram vários os braços-de-ferro entre Centeno e Bruxelas. Começaram no Orçamento de 2016, estenderam-se depois à resolução do Banif, com consequências no défice de 2016. Ainda assim, o ministro das Finanças, com o seu jeito e sentido de humor muito próprio, acabou por conseguir que não fossem impostas sanções a Portugal nem congelados os fundos europeus e garantiu mais um ano para cumprir as metas orçamentais que a Comissão Europeia havia determinado, de 2,5% em 2016. Estas não foram pequenas conquistas, e, analisadas hoje já com algum distanciamento da espuma dos dias, é preciso reconhecer que foram conquistas importantes para o país. Sofridas, mas importantes. O défice orçamental desse ano acabou mesmo por ser o mais baixo da história da democracia lusitana, representando 2% do PIB, o que permitiu encerrar o procedimento por défices excessivos (PDE) aplicado a Portugal desde 2009.

Acerca do Orçamento do Estado para 2018 (OE 2018), também há reservas já levantadas por Bruxelas. Aliás, a Comissão Europeia mantém Portugal “em risco de incumprimento” das regras europeias, detetando um desvio significativo entre o que está no OE 2018 e as exigências do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC). Ou seja, nem tudo serão rosas daqui para a frente. Mas o lugar já é nosso, já é português, e devemos orgulhar-nos de mais esta conquista, independentemente da cor partidária de cada um. Porque, acima de tudo, deve estar o todo, neste caso o país.

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Rosalia Amorim

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