Opinião: Rosália Amorim

China-Estados Unidos: Xi é capaz de despentear Trump?

Foto: Mark Schiefelbein / EPA
Foto: Mark Schiefelbein / EPA

A nova política comercial da administração Trump, com imposição de barreiras alfandegárias a parceiros tradicionais como a União Europeia e o Canadá, assume proporções imprevisíveis porque agora é a China a avisar que vai retaliar contra novas taxas norte-americanas sobre produtos chineses.
Na base do confronto entre as duas maiores economias do mundo, lideradas pelo poderoso presidente Xi Jinping e pelo instável presidente Donald Trump, está a ameaça de Washington de aplicar taxas de 25% sobre produtos chineses de cerca de 50 mil milhões de dólares.

Donald Trump alega, há pelo menos um ano, que a China rouba direitos de propriedade intelectual e, nesta nova tensão económica, há negócios que podem sofrer um rombo como, por exemplo, a indústria automóvel, máquinas, helicópteros ou bulldozers.

O ministro chinês do Comércio já fez questão de frisar publicamente que todos os acordos recentemente estabelecidos entre os dois países ficarão suspensos. Mesmo assim, Donald Trump admitiu estar a preparar mais taxas sobre mais produtos, ao mesmo tempo que afirmou à Fox News que “tem uma ótima relação com o presidente Xi, vamos resolver o assunto e ele percebe que é injusto”.

Como é facilmente percetível em qualquer viagem a Pequim ou a Xangai, a Europa tenta tirar proveito desta guerra comercial, em especial os mercados alemão e francês. Portugal também tenta captar mais investimento chinês (e não só para a EDP…) e está a aumentar as exportações, uma vez que a balança comercial é deficitária.

Veja-se a recente operação de charme e de exportação da Super Bock, uma das marcas de cerveja mais vendidas na China, na semana do 10 de junho, apoiando iniciativas culturais promovidas pelo embaixador de Portugal José Augusto Duarte, como a realização de um concerto de música barroca que obteve indiscutível êxito no conservatório de Pequim e que contou com a presença do presidente da Câmara do Porto e com boa parte do corpo diplomático representado na capital chinesa.

Na China, primeiro conversa-se à mesa, fala-se de cultura, ouve-se o interlocutor, e depois fala-se de negócios, olhos nos olhos. E, nesse aspeto, portugueses e chineses têm hábitos semelhantes. Não é decerto com o Twitter e com guerras de palavras ou barreiras alfandegárias que se vence um povo que construiu, há séculos, os cem mil quilómetros da Grande Muralha que ainda protegem Pequim.
Saibamos ser pacientes, discretos e mostrar a diferenciação dos nossos produtos e a vantagem geográfica atlântica.

Apesar da nossa dimensão enquanto país, é bom que tenhamos a noção de que somos respeitados. Para isso, dispensemos o folclore político do uso imprudente de algumas redes sociais e estejamos mais focados na cultura e na economia que nos podem unir.

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