China: Partido Único?

Recentemente o embaixador chinês Zhao Bentang publicou um interessante artigo no Diário de Notícias a apresentar a História recente do seu país à comunidade portuguesa. Um texto a ler com atenção.

No momento em que a China se tornou a maior economia mundial, em que as relações entre a União Europeia com esse país asiático se fortalecem, em que a Rota da Seda, uma formidável infraestrutura de transportes de mercadorias e pessoas chega a Madrid ficando o nosso país, por opção própria, de fora, é importante que a sociedade portuguesa perceba a China moderna e afaste a visão preconceituosa dessa sociedade tão bem sucedida no mundo tecnológico atual.

Um dos motes mil vezes repetidos pelos políticos é que a China tem um sistema político de partido único. Ora tal não corresponde à realidade. De facto na Assembleia Popular, que corresponde à nossa Assembleia da República, estão representados 9 (nove) partidos dos quais um é o Partido Comunista Chinês. Em contraste no parlamento português estão representados apenas 8 (oito) partidos.

A existência de nove partidos, e não apenas de um, passa largamente desapercebida à sociedade portuguesa, que se convence de uma situação inexistente.

Alguns destes partidos estão também representados no Governo que longe de ser o Governo de um único partido é um governo de coligação, outra realidade não apreendida pela sociedade portuguesa.

Por exemplo o Partido Democrático dos Trabalhadores e Camponeses é dirigido pelo antigo ministro da Saúde, o médico Chen Zhu, que também é o Presidente da Cruz Vermelha Chinesa. A Associação para Construção Democrática nacional, outro dos partidos políticos, é dirigida por Hao Mingjn. Pela sua participação política sofreu sanções norte-americanas.

Assim quando olhamos mais atentamente para a realidade chinesa moderna encontramos um quadro social e político mais complexo do que os clichés e preconceitos nos fazem crer.

Ora perceber a China é fulcral para estabelecer uma relação económica duradoira e profícua para os dois países. Muitos países europeus tem laços económicos fortes com a China e, dessa forma, tem atraído investimento e mercado para as suas exportações. A política económica de Biden, tal como se previa, é, como alguém a descreveu, a da América Grande de Novo com cérebro, isto é a mesma primazia à produção interna mas sem a agressividade inútil e ineficaz de Trump.

Num momento em que os mercados americanos se fecham o mercado chinês é uma alternativa para as economias exportadoras. Mas para aproveitar as oportunidades é preciso conhecer o terreno.

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