Com slogans não se arranja trabalho

Os números divulgados há dias pelo IEFP são preocupantes: em outubro havia quase 24 mil ofertas de emprego por preencher no país, tendo aumentado mais de 50% face a 2020. O dado é sintomático da escassez de mão-de-obra em Portugal e que representa o problema mais grave no mercado de trabalho nacional.

Apesar de este quadro não ser muito mediatizado, há empresas com quebras de produção devido à falta de trabalhadores. Setores como construção civil, turismo, comércio a retalho ou indústria transformadora vivem problemas sérios a este nível com consequências imprevisíveis para os seus negócios e para a economia portuguesa.

Perante a crueza dos dados, o que se pedia aos intervenientes na Concertação Social era razoabilidade, espírito de compromisso e procura de soluções. Ao invés, o que vemos nos media são os velhos lugares-comuns das centrais sindicais, impondo a narrativa da precariedade e dos baixos salários.

As causas deste fenómeno são múltiplas. Reduzir a análise a um critério salarial, puro e simples, só serve o propósito ideológico da luta de classes, perpetuando a dicotomia dos exploradores e explorados. Exige-se seriedade e verdade na discussão, explicando às pessoas que os salários só vão subir verdadeiramente quando deixarmos de ser um dos países mais improdutivos da Europa. Ou que não é com conceitos de rigidez laboral mal disfarçada, como a recente Agenda para o Trabalho Digno, que há menos precariedade. Ao contrário, é com flexibilidade e agilidade para os empregadores, que assim sentem confiança para investir e melhorar as condições laborais.

A montante de tudo isto, estão fatores estruturais, com crise demográfica à cabeça e défice de qualificações. Precisamos de acolher mais imigrantes, para fazer face à dramática perda de população e oferecer às empresas as competências de que precisam apostando na formação e na requalificação profissional.

A perpetuar slogans e mitos é que não vamos lá.

Presidente da Associação Comercial do Porto

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