Como a bioindústria pode transformar Portugal na Fábrica de Saúde da Europa

2020 mostrou-nos que, de um momento para o outro, tudo pode mudar. Mas este ano absolutamente atípico ensinou-nos também que precisamos de estar mais preparados para o inesperado. A Biotecnologia e as Ciências da Vida são parte vital dessa preparação. Neste caso, Portugal pode até ter as ferramentas necessárias para se afirmar como um player relevante na Europa capaz de contribuir com soluções - desenvolvidas localmente e incorporando conhecimento nacional - para estes problemas globais.

Ao vivermos esta crise sanitária, percebemos, como nunca, a importância da biotecnologia. Afinal, é através dela que se consegue chegar ao diagnóstico, desenvolver novos tratamentos, recolher dados epidemiológicos (através de testes serológicos) e, claro, a tão ambicionada vacina. E agora que começamos a pensar, finalmente, num período pós-covid 19, não podemos descurar o investimento nesta área. Pelo contrário, devemos ter a ambição de construir um cluster económico forte e preparar, desde já, o futuro desafiante que se avizinha.

Portugal tem as condições necessárias para se tornar num Hub de Investigação e Desenvolvimento na bioindústria. Para tal, podemos contar com a qualidade da ciência e a nossa mão de obra, altamente qualificada nestes domínios e à altura do desafio.

É importante também ter em atenção a grande dependência das cadeias de distribuição, com limitações de matérias-primas e produtos em momentos críticos - algo especialmente notório durante esta crise sanitária. E por que não tornar Portugal na Fábrica da Europa da Saúde? Além da proximidade geográfica única aos continentes americano e africano, já demonstrámos em diferentes áreas poder ter uma qualidade acima da média na produção, bem como capacidade de desenvolver tecnologia de forma competitiva.

Foi neste sentido que a Associação Portuguesa de Bioindústria (P-BIO) elaborou a Estratégia Bio-Saúde 2030, que preconiza um maior investimento nas Ciências da Vida e Biotecnologia com uma aposta em investigação, transferência de tecnologia e em condições para o crescimento de empresas altamente tecnológicas e suportadas em conhecimento e ciência. Apostando na ligação desta capacidade de geração de novas tecnologias e produtos com uma indústria para a produção de produtos de alto valor acrescentado como medicamentos, componentes base, dispositivos médicos e soluções digitais. Através de políticas e medidas concretas, é vital fazer uma aposta estratégica na saúde.

Com ou sem pandemia, Portugal precisa de ter um papel mais ativo, de forma a poder ter mais controlo de tecnologias e produtos como forma de também potenciar o seu desenvolvimento social e económico. Estamos perante uma oportunidade incontornável de impulsionar a Ciência Portuguesa, promover uma articulação mais próxima entre a investigação e o empreendedorismo científico, mas também dar mais palco aos nossos centros de I&D e alavancar a sua reputação internacional. Só assim conseguiremos planear os próximos passos com mais exatidão e eficácia para ter um papel ativo no combate a esta e outras pandemias.

Simão Soares, Presidente da P-BIO, Associação Portuguesa de Bioindústria

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