Opinião

Como investir em R&D e simultaneamente aproximar empresas às universidades?

Rua

Todas as organizações que têm os olhos postos no futuro se preocupam com a continuidade e crescimento do seu negócio. Seja qual for o seu setor de atividade, percebem que o investimento em R&D é essencial para o seu próprio desenvolvimento e das sociedades em geral. Podemos constatar este facto através dos dados da OCDE. O valor do PIB investido em inovação e desenvolvimento tem aumentado ou pelo menos mantido os níveis anteriores. Os países mais desenvolvidos são os que mais investem.

Investir em inovação e formar profissionais

Segundo Peter Drucker, no seu livro “Inovação e Gestão” (1985), o investimento em R&D é crucial para a criação de novos produtos, serviços e processos produtivos. É essencial para garantir um futuro sustentável para as organizações por forma a que estas consigam acompanhar as mudanças velozes que assistimos em termos dos padrões de consumo e de concorrência.

Além da questão do investimento em R&D, temos um segundo problema a abordar, particularmente acentuado no mercado de TI, que é a escassez de profissionais especializados. Segundo a OCDE existirá uma escassez de cerca de 15 mil profissionais em Portugal com competências em TI. A aproximação das organizações às universidades reveste-se assim de vital importância para garantir por um lado a empregabilidade dos recém-licenciados, ajustando os planos curriculares às necessidades atuais e futuras das empresas em termos de competências chave, por outro garantir que as organizações têm quadros suficientes para dar resposta à crescente procura de novos projetos ligados à Transformação Digital.

Como podemos tentar resolver simultaneamente estes dois desafios?

Uma forma de se conseguir alcançar ambos os objetivos é através da criação de academias por parte das organizações, que desafiem jovens recém-licenciados a participar em projetos de R&D com o objetivo de otimizar os processos produtivos atuais e criar novos produtos ou serviços.

É essencial desafiar os recém-licenciados a refletirem sobre a atividade das empresas e a apresentarem soluções disruptivas, que quebrem os antigos padrões de produção, pois não têm os “vícios” dos profissionais instalados.

Cruzar a experiência e a capacidade de antecipar problemas de profissionais experientes com a irreverência dos mais jovens, levará a que as empresas que apostem nestas academias possam desenvolver a sua oferta e processos produtivos de forma diferenciadora. Os primeiros devem assumir um papel essencialmente orientador e mentor, deixando uma grande margem criativa aos mais jovens para pensarem “fora da caixa” pois o desprendimento que têm, pela sua falta de experiência no sector, leva-os a apresentar soluções muitas vezes bastante simples e óbvias, mas que escapam aos mais seniores que já dão os processos atuais como adquiridos e não se predispõem, de forma regular, a pôr em causa a sua forma de trabalhar e os processos implementados.

O simples enquadramento de um problema concreto que pretendemos resolver e a orientação para os objetivos a alcançar são o bastante para dar o incentivo inicial ou então pensar em novos produtos ou soluções que possam vir a ser incorporados no portfolio da empresa. Se forem desafios que tragam valor para a sociedade, a motivação dos academistas é claramente uma força motriz para alcançar resultados e produtos de excelência.

Esta é igualmente uma forma de gerar e formar novas gerações de profissionais para as nossas organizações, com ideias frescas e que respondem às necessidades atuais pois são mais sensíveis às expetativas dos futuros clientes que serão em muitos casos eles mesmos. Numa era em que o trabalho para a vida já não está na mente das novas gerações, esta é igualmente uma forma de evangelizar e envolver desde o início da sua carreira na vida da empresa, pois o sentimento de pertença é gerado quando as suas ideias são levadas a cabo e postas em prática no local onde iniciam o seu percurso profissional. Basta pensar nas políticas e recursos que companhias como a Google ou o Facebook investem no sentido de reduzir o “turnover” das suas equipas para acreditar que esta forma de aproximação das organizações às universidades, através de projetos de R&D, pode ser uma solução com frutos.

Estão as organizações preparadas para investir em R&D de forma séria?

André Gomes, Unit Manager / Responsável R&D – Adentis

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