Opinião: Hugo Veiga

Como se tornar milionário em 2019

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Para além de geralmente querermos o que todos querem, nunca nos questionamos se realmente o queremos.

De acordo com um estudo fictício realizado junto de dirigentes de empresas de comunicação, os principais cinco desejos para 2019 são:

1 – Voltar ao peso normal;
2 – Trazer marcas incríveis para a carteira de clientes;
3 – Melhorar os números do negócio;
4 – Trabalhar menos;
5 – Ganhar muitos prémios.

Se chegar a dezembro de 2019 com pelo menos dois realizados, considere um bom ano. Resoluções de ano novo, sejam elas ponderadas ou reflexo de taças de champanhe a mais, não pecam pela sua ambição, mas pela sua essência. Isto, porque sempre olhamos para o próximo ano como “o que eu quero” e não “porque eu quero”. Esta mania ancestral é a receita da frustração. Para além de geralmente querermos o que todos querem (ou que a sociedade nos leva a crer que queremos), nunca nos questionamos se realmente o queremos. E aí já viram, né? Jogamos um ano ao lixo, na eterna busca da infelicidade.

Entender porque você quer alguma coisa exige uma viagem pelo seu íntimo. É um exercício de coragem, que exige confronto com os seus pequenos demónios. Mas se for sincero consigo, vai voltar dessa viagem mais puro, consciente, leve e pronto a planear como vai chegar ao que quer. A boa notícia é que melhorias nas nossas vidas não são assim tão inatingíveis. Já ouviu falar em “ganhos marginais”?

Se pensar em todos os fatores possíveis que influenciam a sua vida, e então se tiver uma melhoria de apenas 1% em cada fator, o desempenho final será muito superior. Um bom exemplo de ganhos marginais é o do tenista Djokovic: na época de 2004-05, o tenista não estava nem no top 100, ganhando “apenas” 300 mil dólares/ano. De 2006 a 2010, subiu ao número três e passou a ganhar 5 milhões/ano. De 2011 a 2016, tornou-se o número 1 e passou a ganhar algo como 14 milhões/ano.

Podemos pensar que, para esta evolução, Djoko melhorou em muito a sua performance. Mais ou menos. Quando não estava nem no top 100, Djokovic ganhava 49% dos pontos disputados. Na época de 2006 a 2010, ele ganhou 52% e para ascender a número 1, 55% dos pontos. Uma melhoria de 6% foi o suficiente para o tirar do top 200 e chegar a número 1. Claro que as melhorias não são assim tão simples, mas isto prova de que nada é impossível.

Assim, permitam-me fazer umas mudanças marginais nesse top de desejos.

Voltar ao peso normal: Assuma que o peso atual é o seu peso normal e não mais aquele que aparecia na balança aos 16 anos. Aí, vá aos poucos. Comece por comer menos quantidades e fazer exercício.

Trazer marcas incríveis para a carteira de clientes: Em vez de focar em logótipos cool, foque em encontrar as pessoas certas atrás de marcas. Prefiro um diretor de marketing de uma marca de papel higiénico ousado a um cliente bundão de uma marca moderna.

Melhorar os números do negócio: Em vez de focar em números, foque em pessoas. Se der as condições certas à sua equipa, eles vão trabalhar mais felizes, gerar projetos mais irreverentes e isso vai melhorar os números. Pode confiar.

Trabalhar menos: Não é que você trabalhe demais, provavelmente, trabalha é mal. Foque na eficiência. Reveja os processos internos da sua empresa e alinhe ambições com os seus clientes. Uma das maiores causas de ineficiência é quando uma agência quer uma coisa e o cliente quer outra. Seja transparente e mantenha uma linha de comunicação constante.

Ganhar muitos prémios: Prémios são um resultado e não um fim por si só. Um destes dias, perguntei a um ex-publicitário megapremiado, agora homem de negócios de sucesso, o que ele tinha aprendido ao ver a nossa profissão de longe. Ele respondeu que os prémios são uma doença. Necessários, mas que os criativos deixaram de lidar com eles de uma forma saudável. Por exemplo, todos os anos, ele ganhava pelo menos um Leão em Cannes. Mas não celebrava mais. Antes, quando chegava a notícia da conquista, ele sentia-se aliviado. Aliviado! Como se isso fosse a prova de que ele ainda estava no jogo.

Não pensem nos prémios pelo prémio. Antes, procurem realizar um trabalho com impacto positivo para marcas, pessoas e sociedade. E, acima de tudo, positivo para vocês.

Milhões até podem trazer alguma felicidade, mas sabe o que traz felicidade mesmo? Aprender a ser feliz. Um clichezão, eu sei, mas deem-me um desconto. É Natal e acabei de ser pai. Boas-Festas!

Executive creative director do AKQA São Paulo

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