Opinião

Como travar a corrida para o precipício

EPA/FACUNDO ARRIZABALAGA
EPA/FACUNDO ARRIZABALAGA

A grande questão que se levanta agora é que estes frágeis compromissos se arriscam a cair por terra

Tudo indica que neste dia de 25 de novembro serão aprovados, numa Cimeira Extraordinária, o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e a declaração política sobre a futura relação entre as duas partes.

Concluídos os ajustamentos finais nesta declaração restará ainda resolver a questão de Gibraltar, o que parece agora, depois do entendimento entre Londres e Madrid, tarefa relativamente fácil.
Quanto ao acordo de saída propriamente dito, respeita o que sempre defendi: estabelece um período transitório em que o Reino Unido se manterá na união aduaneira e no mercado único, com todos os direitos e obrigações daí decorrentes, até que seja acordado um novo tipo de relacionamento. As empresas disporão assim de um período em que se poderão preparar, durante o qual não sentirão na prática os efeitos do Brexit.

A declaração política baliza, de forma ainda algo imprecisa, o que será o futuro acordo de comércio livre entre o Reino Unido e a União Europeia. Não será certamente o tipo de enquadramento ideal do ponto de vista da manutenção de trocas comerciais sem fricções, como o que agora vigora. Os custos de contexto no relacionamento económico com o Reino Unido serão mais elevados, não tenhamos ilusões. Diria, no entanto, que se chegou neste momento ao compromisso possível, que consegue conciliar o que há não muito tempo parecia irreconciliável.

A grande questão que se levanta agora é que estes frágeis compromissos se arriscam a cair por terra com a sua (provável) rejeição por parte do Parlamento britânico.
Voltaria assim a estar iminente o cenário que do ponto de vista das empresas não é aceitável: uma saída desordenada, sem acordo. Não haverá planos de contingência que evitem os enormes custos que se anteveem. Custos que só uma pequena minoria, do lado britânico, parece disposta a pagar.

Para o evitar a única solução possível será o adiamento da data de saída, até que o Reino Unido consiga clarificar a sua posição. Acredito que será possível alcançar a unanimidade que o Tratado da União Europeia exige. Seria incompreensível que um prazo legal impedisse a travagem de uma corrida para o precipício.

Do ponto de vista das empresas, este adiamento corresponderia a prolongar a incerteza que continua a pesar sobre elas sendo, portanto, essencial que fosse à partida limitado no tempo. Mas, para todos os efeitos, a incerteza será certamente melhor do que a certeza da concretização do pior cenário: um cenário que não podemos, simplesmente, admitir.

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