Como vender batatas e um curso de meditação no barbeiro?

Nos últimos dias fui repetidamente questionado por empreendedores, responsáveis por microempresas, que perfazem boa parte do nosso tecido económico, sobre como enfrentar a extrema digitalização dos seus negócios em conjugação com a impossibilidade de comercializar os seus produtos no mundo real. Esteticistas, pequenos restaurantes, agricultores, um mundo de empreendedores que no último ano viram os seus rendimentos caírem 100%, querem saber o que fazer neste novo mundo?

Como vender batatas pelo ecrã? Como manter um negócio como um bar vivo? Um salão de beleza a funcionar?

Há respostas para esses desafios. Qualquer empresário deve olhar com profundidade para o seu mercado, as suas necessidades atuais, adaptar e reforçar ativamente a comunicação com os seus clientes, garantir que essa ligação é alimentada diariamente por serviços, produtos, ofertas, dedicação.

Todos os negócios devem viver para além do produto que fornecem. Devem pensar e implementar serviços alinhados com a sua natureza.

Será assim tão estranho ter aulas de Ioga como um extra de um restaurante indiano? Aulas de culinária de um restaurante chinês? Aulas de maquilhagem de uma esteticista? Aprender com um agricultor os segredos de manter uma pequena horta na sua varanda? Não, não é.

E se o seu amigo agricultor o ajudou a ter uma pequena horta, a quem vai comprar batatas biológicas e de boa qualidade, quando puder? Onde voltará para jantar?

A digitalização abriu um mundo de possibilidades muito maior do que o que a pandemia fechou, acelerou a criatividade e capacidade de adaptação de pequenos empreendedores para sempre.

Teremos cabeleireiros que vão fornecer muito mais do que cortes de cabelo ou unhas arranjadas. Os seus donos enviarão um set de beleza para sua casa depois de ter tido um pequeno curso de maquilhagem online, e que vem mesmo a calhar depois da sessão de introdução à meditação que a deixou mais relaxada, sobretudo depois de uma semana de trabalho enquanto professora de fotografia gastronómica para um curso online, ministrado em parceria com um restaurante tradicional.

O desafio será este: seja presencial mas sobretudo de forma remota teremos novos serviços, acesso a produtos inovadores, respostas adaptadas a todos os gostos e carteiras.

Temos que aprender a prosperar num mercado onde os pequenos empreendedores não vivem na ilusão que o seu futuro será salvo, ou parcialmente resgatado, por uma qualquer bazuca. Sabemos bem que o mundo, a própria realidade, foi alterada para sempre com este evento. O nosso desafio principal não é quanto dinheiro podemos receber mas garantir que não precisaremos dele para prosperar.

Consultor

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