Comparar as crises é misturar alhos e bugalhos

Pretender estabelecer comparações entre a crise provocada pela pandemia de covid - que arrasa o mundo inteiro, com efeitos variáveis consoante a intensidade das vagas e a especificidade das sociedades, mas que chega a toda a parte, sem exceção e sem aviso - e a crise financeira e económica com a qual a Europa lidou há quase uma década é, na melhor das hipóteses, desonestidade intelectual. Não que isso impeça cada vez mais frequentes comparações e cantares de galo sobre como desta vez se decidiu, a nível europeu e nacional, abrir os cordões à bolsa em vez de castigar com austeridade.

Omite-se fatores fundamentais como a origem e a extensão dos problemas e as responsabilidades na sua criação - a anterior crise, mesmo que precipitada por fatores externos, foi potenciada nas diferentes escalas que assumiu nos Estados-membros pela fraca gestão das contas públicas e pelas más condições económicas e financeiras de alguns países. Como Portugal ou a Grécia.

Seja para convencer-nos a nós próprios ou para iludir os outros, cada vez mais, nos dias que correm, é comum fechar os olhos às diferenças entre as grandes crises desta década. Ignora-se deliberadamente o trabalho de limpeza profunda - alguns dirão radical - feito por uns e que permitiu a outros tirar dividendos e mostrarem-se generosos. Prefere-se não pensar no problema que aí vem quando as moratórias rebentarem em setembro, num dos países que mais crédito adiado têm e cujo sistema financeiro, ainda que fortalecido nos últimos anos, não está tão saudável quanto os de outros Estados-membros. Entende-se a suspensão das metas orçamentais como uma vitória - Austeridade nunca mais! - em vez de se ver por aquilo que são: uma impossibilidade num momento de exceção.

Mas as regras voltarão. E mesmo que desejavelmente mais adaptadas à realidade, para terem efeitos terão de impor limites - e o seu incumprimento em contexto de normalidade, terá efeitos. Não há lei completa sem a certeza de que quebrá-la traz penalização ao incumpridor e justiça aos que a seguem.

SOBE: Miguel Stilwell, CEO da EDP

Seguindo a estratégia anunciada, a EDP acaba de fechar uma operação de venda de 55% do seu portefólio eólico nos Estados Unidos a fundos geridos pela Greencoat Capital. Os parques estão avaliados em 720 milhões de dólares. Este movimento da empresa portuguesa tem cabimento no "programa de rotação de ativos" de 8 mil milhões que a elétrica anunciou no Capital Markets Day e que, segundo avançou a EDP, lhe permitirá "acelerar a criação de valor e reciclar capital para reinvestir em crescimento rentável".

E DESCE: João Cadete de Matos, presidente da ANACOM

No processo do 5G, em nome de uma "total independência de interesses instalados", o regulador já fez o inenarrável. Incluindo contrariar o governo, tratar os operadores que regula como inimigos e privilegiar quem nunca investiu um cêntimo em Portugal, desprezando os que gastaram milhões a construir infraestruturas de telecomunicações que o Estado devia ter garantido. Agora conseguiu o impossível: dar um passo nunca visto e mudar as regras do leilão a meio do dito, "para apressar as coisas". As operadoras, naturalmente perplexas com as "violações atrás de violações" de Cadete de Matos, pedem a demissão do regulador, único caminho possível para um árbitro que decide as regras pela sua conveniência e durante o jogo. E o governo? Mantém-se em silêncio, como em todo este processo. Ou Miguel Almeida tem razão e Pedro Nuno Santos ignora o que é o 5G, ou o ministro está demasiado ocupado a gerir a TAP para se dedicar às telecoms. Seja qual for o motivo, o governo não pode manter-se autista num tema de tamanha importância.

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