Comunicação: quatro ideias para 2021

Passei as últimas semanas a ver balanços do ano em sites internacionais e cheguei a alguns pontos comuns a várias análises e que, creio, se aplicam muito bem ao nosso pequeno retângulo.

O ano de 2020, ano primeiro da covid, trouxe muitos ensinamentos aos órgãos de comunicação. E 2021, o segundo ano da pandemia que estamos a sentir em força, vai ser ainda mais desafiante.

Passei as últimas semanas a ver balanços do ano em sites internacionais e cheguei a alguns pontos comuns a várias análises e que, creio, se aplicam muito bem ao nosso pequeno retângulo.

Em primeiro lugar, a maior força reside na capacidade de adaptação, na invenção de novas formas de comunicar. Numa altura em que o facto imediato, a notícia de última hora, se conhece de forma instantânea nos meios digitais e nas redes sociais, não faz sentido que as publicações em papel não mudem a sua agenda. Não é possível competir na atualidade - mas continua a ser possível apostar na análise aprofundada, na reportagem, no jornalismo de investigação. Estas são as áreas que podem ser diferenciadoras.

Ninguém compra já um jornal para ler as últimas notícias, mas os leitores do papel podem apreciar ver nas páginas do seu jornal aquilo que não veem nos outros locais. Vou dar um exemplo que me é caro. O noticiário da grande política faz parte das coisas de atualidade que não vale a pena considerar como prioritária se um jornal quiser ser diferente. As habituais fofocas e análises políticas de ex-governantes são interessantes para alimentar conspirações e fazer perdurar o velho sistema partidário mas não fazem nada para mostrar outras possibilidades e melhorar a informação disponível. Continuo a pensar que é mais interessante dar uma notícia do que se passa em assembleias municipais cuja atividade é esquecida, relatar noticiário local relevante, do que perder tempo com as disputas entre Belém e S. Bento. Identificar pontos de diferenciação e torná-los pontos fortes de afirmação é a segunda conclusão.

Vivemos num mundo de partilha de conhecimento, de alianças, de cooperação, de criação de redes colaborativas. O notável trabalho de centenas de cientistas que se envolveram no desenvolvimento de uma vacina neste tempo de pandemia é um exemplo de colaboração que nos deve inspirar. Se desejamos que isto aconteça numa série de situações, é forçoso que também aconteça ao nível da comunicação. Hoje é difícil conciliar os orçamentos disponíveis com as equipas necessárias. Mas há serviços que podem ser partilhados entre órgãos de comunicação locais e nacionais, entre os jornais e a agência noticiosa, com benefícios para todos. Aumentar as parcerias e o funcionamento em rede é a terceira conclusão.

O mundo digital evolui a uma velocidade cada vez maior. A atenção das audiências está cada vez mais fragmentada, todos os anos novas redes sociais ganham relevância, a procura por notícias aumenta. Mas como os últimos tempos têm infelizmente mostrado, a manipulação de notícias, a falsificação de factos e os relatos tendenciosos aumentaram de forma dramática no mundo digital, na informação não editada que prolifera. Esta situação traz uma oportunidade para os órgãos de comunicação que no digital souberem ser rápidos e rigorosos e que noutros formatos consigam dar um tratamento mais aprofundado com um enquadramento abrangente do que está a acontecer. A verdade vem sempre ao de cima e esse tempo pode estar a chegar. Em matéria noticiosa compensa ser sério, rigoroso e corajoso, defender uma agenda própria e não temer afrontar o poder, mesmo que isso tenha custos, como esta semana se viu com a perseguição policial mandada mover contra jornalistas por uma procuradora pública que pretendia conhecer as fontes de notícias incómodas.

Capacidade de adaptação, explorar os pontos fortes de diferenciação, fomentar o funcionamento em rede e não hesitar em desenvolver o jornalismo rigoroso são os quatro pontos que nos podem ajudar a passar este ano.

SF Media

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