Opinião: António Saraiva

Conciliação família e trabalho

Foto: REUTERS/Rafael Marchante
Foto: REUTERS/Rafael Marchante Pessoas, Rossio, Lisboa, Portugal

A CIP acaba de lançar mais um estudo em parceria com a Universidade Nova, desta feita sobre a conciliação entre família e trabalho, tema da maior importância para a felicidade e realização da pessoa humana.

E fizemo-lo porque acreditamos numa sociedade de valores, integracionista e onde os ganhos das diferentes partes que a compõem nunca poderão ser vistos como uma competição de soma zero.

Personalistas por natureza, consideramos que o início e o fim último da sociedade assentam na realização e felicidade da pessoa humana. Consequentemente, é na entidade familiar que o homem primeiro se realiza e é ela a célula base, a base da pirâmide em que o todo social se constrói. Assim, é na garantia de uma política que promova e preserve a vida familiar que a pessoa humana mais se realiza e alcança o seu projeto de vida. É daqui que se constroem cidadãos equilibrados, munidos de valores e capazes de intervir ativa e construtivamente na sociedade em que se inserem.

Estudos vários indicam que cidadãos felizes e equilibrados produzem mais 20% do que o normal. As empresas são iniciativas individuais e coletivas que, na organização da vida económica da sociedade, permitem a construção de veículos geradores de sustento e riqueza, capazes de promoverem a qualidade de vida individual e coletiva que todos ambicionamos. Cidadãos integrados e equilibrados nas suas responsabilidades familiares, são cidadãos mais ativos, construtivos e empreendedores.

Quanto mais empreendedores, mais empresas, maior diversidade, maior inovação, mais riqueza.
Não é assim muito difícil de perceber porque é que este tema é vital para a CIP. A felicidade da pessoa humana, a sua integração familiar, é condição indispensável para o seu rendimento produtivo.
Numa economia moderna e numa sociedade com elevada consciência social, o desenvolvimento de políticas de conciliação, preferencialmente resultantes de um acordo entre as partes envolvidas, muito contribui para potenciar um melhor e mais cuidado desempenho laboral.

É por isso que temos participado ativamente, ao nível da OIT e da BusinessEurope na produção de regulamentações e recomendações para a adoção de políticas promotoras da conciliação entre o trabalho e a vida familiar. A nível nacional também muito se tem feito, sobretudo naquilo que foi conseguido na revisão do Código do Trabalho em 2009, incorporando uma série de medidas destinadas a alcançar um certo equilíbrio entre os interesses em causa.

Com o desafio da digitalização da economia toda esta dimensão ganha uma pertinência ainda maior. Passa a ser necessário uma maior adaptação a novos produtos, novos métodos de produção e distribuição, novos mercados, novos padrões de consumo e especialmente a uma cada vez mais acirrada concorrência. Por outras palavras, ela obrigará a novos modelos de negócio. E a novos hábitos de trabalho.

A capacidade de adaptação irá exigir, entre outros aspetos, uma forte aposta na educação e formação profissional, no contexto da aprendizagem ao longo da vida, e a existência de modelos flexíveis, onde se incluem políticas de conciliação que permitam, de forma rápida e ágil, dar resposta a todas as diferentes necessidades de empresas e trabalhadores.

O modelo clássico de organização do trabalho está rapidamente a evoluir e tem de ser repensado. A concertação social devia centrar-se essencialmente neste tipo de desafios.

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