Opinião: António Saraiva

Contrariar o determinismo das previsões

Ministro das Finanças, Mário Centeno. REUTERS/Rafael Marchante
Ministro das Finanças, Mário Centeno. REUTERS/Rafael Marchante

"Acresce que não são poucos os riscos externos que pesam sobre a economia e que poderão agravar estas perspetivas."

O ano que agora começa afigura-se difícil e particularmente rico em incertezas.

Se as previsões mais recentes do Banco de Portugal se concretizarem, a atividade económica continuará a abrandar, com um crescimento do PIB de 1,8% em 2019, e chegaremos a 2021 com 1,6%, um resultado dececionante face às aspirações que hoje alimentamos.

Acresce que não são poucos os riscos externos que pesam sobre a economia e que poderão agravar estas perspetivas.

Basta olharmos para o calendário que nos espera no primeiro trimestre para nos depararmos com datas cruciais em termos de materialização destes riscos.

Já na semana de 14 a 18 de janeiro terá lugar um novo debate no Parlamento britânico, que culminará com a votação sobre o acordo do Brexit. O resultado desta votação e o que for decidido nas semanas seguintes determinarão o que sucederá em 30 de março: caos no relacionamento entre o Reino Unido e a União Europeia; início de um período de transição, calmo, mas com novas interrogações no horizonte; adiamento e prolongamento da incerteza, são estes os cenários ainda em aberto.

O Departamento de Comércio norte-americano concluirá, até ao dia 17 de fevereiro, um relatório sobre as importações de automóveis e componentes, do qual depende a aplicação de tarifas alfandegárias que poderão chegar a 20% ou 25% sobre os veículos importados da Europa.

Em 1 de março terminará a trégua na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, não havendo sinais de avanços significativos nas negociações entre os dois países para evitar uma nova escalada no aumento de tarifas no comércio entre os dois países.

Tanto na União Europeia como em Portugal, teremos um ano marcado por eleições, o que significa que nenhuma reforma urgente conhecerá a luz do dia.

As greves que marcaram o final de 2018 não são prenúncio de um 2019 tranquilo do ponto de vista social, adivinhando-se um aumento da crispação que se refletirá, inevitavelmente, nas esferas económica e empresarial. Sabemos bem que o aumento da instabilidade, política ou social, é sempre diretamente proporcional à incerteza no investimento.

Em suma, as perspetivas para o próximo ano não são animadoras. Mas acredito na força das empresas para contrariar o determinismo das previsões.

Para que essa força se possa exercer plenamente, deixo aqui, como mensagem para o ano que agora se inicia, um apelo aos responsáveis políticos, empresariais e sindicais para que provem que, com ambição, responsabilidade e esforço concertado, mesmo com ventos pouco favoráveis, é possível construir um futuro mais próspero.

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