Opinião: Rosália Amorim

Opinião. Coragem para acabar com a discriminação salarial

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Amanhã assinala-se o Dia Internacional da Mulher. Lembrar esta data, 8 de março, continua a ser da maior utilidade. Em pleno século XXI é bom lembrar, aos homens e às mulheres, que nem sempre a realidade foi tal como a conhecemos hoje.

Ainda não chegámos à verdadeira paridade, mas passos importantes vão sendo dados todos os dias nas nossas casas, nas nossas empresas, nos Estados e nas diferentes civilizações. Recentemente, celebrámos o facto de as mulheres da Arábia Saudita terem o direito de tirar a carta e conduzir. Olhámos para essa notícia com o espanto que merece. E nem por um segundo nos lembrámos de que ainda há menos de meio século as mulheres portuguesas não poderiam sair do país sem autorização do marido…

Ainda bem que já nasci em 1974! Os passos em prol da igualdade vão sendo dados à medida de cada civilização e cultura, mas também à medida da coragem dos homens. Tantas vezes é ele o legislador e depende da sua coragem, da sua segurança e da sua autoestima – ou da falta dela – a decisão de decidir a favor ou contra as mulheres. Por isso, é preciso pedir coragem aos homens para não temerem as mulheres. Temer o poder feminino ou tentar limitá-lo num espartilho é o pior que podem fazer, sob pena de os fios desse espartilho rebentarem e fazerem estrondo na sociedade.

Hoje, quando enumeramos os temas relacionados com a igualdade, saltam à vista três: a igualdade nas tarefas domésticas, o acesso às mesmas oportunidades profissionais e a paridade salarial entre homens e mulheres. Contudo, a única paridade que cresceu à nossa volta foi a igualdade em horas de trabalho. Muitas mulheres trabalham tanto ou mais do que os homens e levam para casa quase sempre menos dinheiro do que eles. Porquê? Voltamos ao tema da coragem. É preciso ter a coragem de admitir e de aplicar salário igual para trabalho igual. Se as tarefas aparecem feitas e bem feitas, se os objetivo e as expectativas são alcançados ou até superados, se os resultados são atingidos, porquê pagar menos a uma mulher só porque não nasceu homem?

Se muitas das diretoras de recursos humanos também são mulheres, e se começamos a ver nas administrações cada vez mais mulheres, então desafio-vos a tomarem a dianteira, a darem o exemplo em vez de promoverem a discriminação dentro das suas organizações. Tenham a coragem de comparar tabelas salariais e de mudar esta realidade. Qualquer passo nesse sentido já vem tarde!

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