Covid - A incompreensível falta de sensatez de um governo meio desnorteado

É absolutamente evidente a necessidade de comportamentos sociais que invertam a crescente tendência de contágio Covid. O distanciamento social, a utilização de máscaras e o reforço de medidas de limpeza e desinfeção são obviamente medidas que necessitam ser reforçadas de forma a garantirmos a defesa da saúde e da vida humana. Seria de esperar que num país informado o governo e as autoridades estivessem devidamente alinhados para de uma forma coerente garantirmos o cumprimento de comportamentos e ordem publica consentâneos com a travagem do contágio.

Contudo, observa-se uma disparidade pouco compreensível à luz do rigor e do bom senso por parte do governo que mostra não ser efetivamente capaz de uma política de precisão e coerência, demonstrando navegar em matéria tão séria ao sabor de um conjunto variado de estados de espírito.

Se, por um lado, impôs aos portugueses um conjunto de limitações na sua grande maioria sensatas, por outro, dá um conjunto de indícios disparatados e contraditórios que indicam uma enorme desorientação e incompetência demonstrando que não sabe o que está a fazer.

Numa semana em que, no fim de semana, o autódromo de Portimão recebe o grande prémio de Formula 1, onde se juntarão dezenas de milhares de pessoas, o governo anuncia que, no fim da semana seguinte, os portugueses estão impedidos de se deslocar entre concelhos e consequentemente não poderão, no dia 1 de Novembro, visitar nem homenagear os seus entes queridos sepultados. Este é o mesmo governo que dá luz verde às touradas com praças cheias e à festa do Avante (provavelmente para evitar o voto contra do PCP no próximo Orçamento do Estado, que entretanto anunciou que se irá abster).

Quero deixar claro que não sou contra a realização de eventos de qualquer espécie. Defendo uma regulação clara e coerente dos comportamentos que nos permita aproximar da saudosa normalidade em sociedade enquanto esta ameaça pairar sobre nós. Para isso é necessário que as instituições públicas funcionem. Que o estado funcione e sirva de forma operacional as regras e os interesses da população.

Choca-me que, ao invés de privar os portugueses de uma tradição enraizada na sociedade portuguesa, que honra a memória dos nossos antepassados, o primeiro-ministro não tenha sido capaz de utilizar as milhares juntas de freguesia espalhadas pelo país para monitorizar com rigor a prevenção e segurança nas entradas e saídas dos cemitérios. Tão simples. Mais uma demonstração da incapacidade do aparelho global de estado funcionar ao serviço do cidadão.

Uma vez mais este governo demonstra um nível de incompetência e de falta de rigor próprio de que não faz ideia do que anda a fazer.

A fatura deste desnorte serão, certamente, os mesmos de sempre a pagar.

Eduardo Baptista Correia, CEO do Taguspark e professor da Escola de Gestão do ISCTE

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