histórias de fazedores

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Novo estudo indica a emergência de uma nova geração sub-35, os Millennipreneurs e dá conta de que os jovens de hoje são maiores criadores de negócios.

Tendem a chamar-lhes loucos, contam-me muitos, sempre que lhes pergunto o que disseram a família e os amigos sobre o facto de terem decidido largar tudo para lançarem um negócio. Muitos têm menos de 30 anos, estudaram fora, viajaram pelo mundo, mudaram de trabalho várias vezes. No mais recente estudo feito pelo BNP Paribas sobre o empreendedorismo jovem, fala-se da emergência da Geração Millennipreneur, uma espécie de “fazedor mileurista”.

Os meus fazedores – grande parte deles – pertencem-lhe, acredito. E se, aparentemente, a emergência de uma “nova geração” diz muita coisa, olhe melhor: a Geração Y, de pessoas nascidas entre 1980 e 1995, dita Millenial, lança em média oito empresas durante a vida. O número é impressionante e, sublinho, muito relevante quando comparado com a média de 3,5 negócios, em média, criados durante a vida da geração antecessora. Os miúdos sub-35 não só ganham para gastar como são criadores de negócios em série. Arriscam.

Os dados indicam que, além de criarem mais negócios, estes têm maior expressão: dos 20 aos 35, estes millennipreneurs fundam empresas, gerem maiores equipas e conseguem maiores resultados do que os baby boomers. As razões para estes números são justificadas por fatores que têm a ver com curiosidade. “Antes, para começar um negócio uma pessoa tinha de chegar aos 40 ou 50 anos. Depois, entre os 30 e os 40. Agora, é entre os 20 e os 30. É uma tendência e obviamente está por todo o lado. Claro que está relacionada com as novas tecnologias, mas também com a mudança do mundo, que agora aceita que possas ser o CEO de uma grande empresa ou que tenhas a tua empresa enquanto és bastante novo”, explica Remi Frank, do BNP Paribas.

Os miúdos sub-35 não só ganham para gastar como são criadores de negócios em série. Arriscam.

O estudo, feito com uma amostra de cerca de 2600 empreendedores de 18 países do mundo, dá conta de que todos juntos, estes fazedores valem mais de 17 mil milhões de dólares. E, ainda que as regiões mais apelativas para estes millennipreneur sejam os Estados Unidos, a China e a Alemanha, os maiores feitos ao nível do ecossistema têm acontecido na Índia, na Turquia e também na China.

As conclusões sugerem que, talvez por ser uma das gerações mais prejudicadas de sempre ao nível do desemprego jovem, esta seja a geração para quem é mais fácil criar negócios. Em segundo, trata-se de uma geração que lida melhor com o falhanço ou que, por outra, considera-o parte do caminho. Tendo em conta que a maior parte dos millennials pensa criar o seu negócio, em média, aos 29,4 anos, ainda há muito tempo para tentar. Os 30 não são os novos 20?

Mariana de Araújo Barbosa escreve Histórias de Fazedores no primeiro sábado de cada mês.

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