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Crónicas de uma desempregada. As minhas férias

Portugueses ficaram entre portas
Portugueses ficaram entre portas

Este ano fui a banhos em Porto Santo, passei um dia maravilhoso na barragem de Castelo de Bode e mais uns dias de praia e piscina na Costa Vicentina. Férias e desemprego são possíveis. Já me imagino de ‘crachá’ ao peito: pergunte-me como!

Decore esta palavra: troca.

Troquei praias madeirenses por tempo de qualidade entre avó e netos (e muita paciência), levei o almoço para a barragem (ou uns petiscos comprados, mas baratos que eu não sou uma mulher prendada para a cozinha, infelizmente) e em Aljezur fui baby-sitter dos filhos das minhas amigas.

Os desempregados também precisam de ir de férias. Pode parecer um contrassenso, mas não é. Porque estar despregado dá trabalho. Falo de férias de Verão porque outra coisa também poderia parecer excesso de capricho. É Verão, os filhos estão de férias, a família está de férias e (felizmente) os amigos também estão de férias. Vamos aproveitar os dias entre as apresentações quinzenais.

Arranje uma agenda (a mesma onde marca as apresentações quinzenais e as entrevistas de emprego) e anote os locais e datas de férias dos seus pais, avós, tios, primos e amigos. Atenção: pessoas com quem goste de estar. Férias são prazer e não sacrifício. Para dificuldade basta andar a contar tostões. Esperando que não tenham ido todos para locais longínquos marque visitas. Sim, vá visita-los!

A ideia não é ser desagradável nem impor a presença. É estar com quem gosta a baixo preço. E dar alguma coisa em troca. Memorizou a palavra? Troca!

Leve o almoço ou cozinhe para os seus anfitriões, um bolo caseiro ou uma compota (se for uma dessas pessoas prendadas que tanto invejo). Ofereça-se para tomar conta dos miúdos. Tenha paciência para ouvir os seus avós ou os seus pais.

E leve um saco cama para, nos casos em que estiver mais à vontade e houver espaço, ficar uma ou duas noites na sala.Se tiver uma casa de férias, ou já tiver a casa alugada antes de entrar em contenção de despesas, rentabilize e ‘troque’ o conceito: convide os seus amigos e família para passarem uns dias. E peça: tragam a comida. Ou aproveite a boleia: uns amigos levam e outros trazem. E troque as auto-estradas por estradas nacionais. Poupa combustível porque acaba por andar mais devagar, poupa ainda mais nas portagens, que tanto um como as outras passaram a representar uma relevante fatia do orçamento.

Eu voltei a ir de férias com a minha mãe. Troquei uma semana de netos por férias com bolo do caco, lapas e praia paradisíaca. Já nem me lembrava como era. Mas garanto-lhes que a troca compensou. E que esta palavra ainda vos vai dar outras (e muitas) alegrias.

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