Cuidado com as aparências

Não no meu jardim!

Exigimos o fim dos combustíveis fósseis, mas indignamo-nos com a morte de pássaros e outros animais nos parques eólicos e fotovoltaicos; queremos uma fatura energética livre de carvão, mas horrorizamo-nos com a poluição visual e custos ambientais de barragens e instalações offshore; declara-se que o fim dos carros a gasolina e gasóleo deve acontecer em dez anos, mas desincentiva-se a compra de veículos híbridos com legislação absurda e baseada em estudos importados de realidades bem distintas da nossa. Omite-se a ausência de uma verdadeira rede de postos de carregamento no país - experimente ir num elétrico até ao Alentejo ou ao Interior... Reforça-se a aposta na eletrificação da mobilidade, mas ninguém quer minas de lítio na sua terra - muito menos aterros de baterias a contaminar tudo. A simples prospeção de minérios e matérias-primas é por cá mal vista. Ou pelo menos evitada, porque se não soubermos que existem riquezas nos nossos solos não é preciso tomar decisões sobre se, e como, os aproveitar - que importa que haja hoje métodos sofisticados e quase isentos de desperdício? Que venham de outras paragens os componentes para fazer os telemóveis e os computadores de que não prescindimos e o equipamento e a tecnologia que asseguram a transição energética e nos deixam limpa a consciência. Não damos mais 10 cêntimos por uma embalagem de iogurte de vidro, mas estamos a ajudar o ambiente porque uma vez por semana vamos para o trabalho de bicicleta.

É assim que se fazem as coisas por cá. Com prejuízo das nossas empresas, com imposição de barreiras ao desenvolvimento da nossa economia, com as aparências a valer mais do que os factos e os seus efeitos.

Entre modelos importados e desfasados da nossa realidade e processos de intenções que não contam com os meios necessários à realização de objetivos, aposta-se sobretudo em propaganda idealizada por quem entende por natureza aquilo que vê da janela de um prédio no centro da cidade.

E Portugal vai ficando para trás, numa Europa que se desenvolve com critério, equilíbrio e decisões inteligentes. Mas terá sempre lindos jardins para entreter o resto dos europeus.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de