De artificial não tem nada!

Começa a estar em todo o lado, faz parte das nossas vidas e, na maioria das vezes, nem damos por ela. A inteligência artificial (IA) era, ainda há poucos anos, olhada de lado, como algo demasiado futurista e digna de ser protagonista de uma próxima Guerra das Estrelas. Mas já está bem presente na economia, em múltiplos setores. Da atividade financeira à automóvel, entre tantas outras, é cada vez mais forte. De artificial só tem o nome. É cada vez mais real e o investimento nesta área tem vindo a crescer.

Se olharmos apenas para o outro lado do oceano, em 2020 foi nos Estados Unidos que se concentrou a grande fatia (65%) em termos de volume financeiro aplicado. Em termos globais, só o investimento do capital de risco em inteligência artificial excedeu os 80 000 milhões de dólares, em todos os setores, no ano passado, contra 69 300 milhões de dólares, em 2019. Os números são fornecidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Muitas empresas relatam que em tempo de pandemia - contendo os espasmos da crise e com os meios que tinham ao dispor em termos financeiros e humanos -, aproveitaram para repensar modelos de negócio e redefinir estratégias. Uma das áreas que mais beneficiou com o redesenho terá sido a inteligência artificial. Com os trabalhadores confinados, os consumidores distantes e um mundo digital em aceleração profunda, para muitos a opção tornou-se evidente.

Se analisarmos os números de penetração da IA por setor, a mobilidade e os veículos autónomos foram os mais importantes em 2020 (aliás, é assim desde 2014), ao absorverem quase 20 000 milhões de dólares de investimento, depois de 14 300 milhões em 2019. Em segundo lugar, ficaram os cuidados de saúde, os produtos farmacêuticos e as biotecnologias, que em 2020 - um ano marcado pela pandemia - registaram o maior aumento em termos relativos, até quase 13 000 milhões de dólares, o dobro do volume de 2019. Curiosamente, o setor financeiro sofreu uma diminuição no ano passado e foi relegado para a sétima posição.

Duas notas finais. A primeira para dar os parabéns a António Rios de Amorim, CEO da Corticeira Amorim, que na quinta-feira foi eleito pela Deloitte o melhor CEO do ano. A cortiça tem dado cartas cá dentro e lá fora e resistiu à crise pandémica, como poucos setores. No caminho do crescimento, a Corticeira Amorim junta agora outros desafios à componente industrial: área agrícola de sobreiros em que está a apostar e reforçada estratégia de sustentabilidade.

A segunda nota, para elogiar a iniciativa da Startup Lisboa que, na próxima quinta-feira, volta a atribuir o "Prémio João Vasconcelos" , em memória do seu fundador e antigo secretário de Estado da Indústria. Acima de tudo, foi um impulsionador e embaixador do empreendedorismo em Portugal e será recordado no evento que vai decorrer no Hub do Beato, em Lisboa.

Jornalista

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