Opinião: Alberto Castro

De bestial a…

Terreiro do Paço, Lisboa. Fotografia: Pedro Rocha/Global Imagens
Terreiro do Paço, Lisboa. Fotografia: Pedro Rocha/Global Imagens

Pelo meio, lá se discute um orçamento suplementar, como se fosse o último, sem que se perceba uma lógica que não a de apagar fogos

Se, por acaso, achou que esta seria uma crónica sobre o treinador do SLB, desiluda-se: desse episódio sobrou-me o título (boa metáfora!). Como quase sempre, um e outro qualificativo são exagerados. Em regra, nem está tudo tão bem como parece, nem tão mal como se julga. Vejamos a atuação do governo. Entre janeiro e maio, o governo teve a sua 1.ª volta do campeonato: sempre a subir e a deixar a concorrência para trás. Era o orçamento com o primeiro superavit, era o crescimento previsto acima da média, a resposta à crise pareceu boa e, mais uma vez, éramos o aluno exemplar. Se a pandemia enterrou a expectativa orçamental, o excedente de 2019 (lembra-se?) ainda justificou encómios. O medo tolerou todos os ziguezagues das autoridades que muito beneficiaram do brio profissional dos trabalhadores da saúde. A comunicação social deu lustro a comparações desasadas, que faziam de resultados razoáveis desempenhos de excelência, ao tomar para comparação os piores. Nas frentes social e económica, o governo foi lesto a tomar e reclamar medidas. O lay-off simplificado colidiu com aparelhos burocráticos habituados a complicar, embora tenha sido (e esteja a ser!) fundamental. A gestão das escolas deixou os deserdados ao Deus dará. E Pedro Nuno Santos não percebeu que a TAP era uma loja de porcelanas.

Dizia Rui Rio que ninguém tinha gerido uma pandemia antes. Todos os erros foram sendo perdoados na presunção, uma e outra vez validada pelo PR, de que ninguém seria capaz de fazer melhor.

Veio a reabertura (a 2.ª volta?) e Lisboa tornou-se um problema – até aí tinha sido só o resto do país.…E a “paisagem” pagou, mais uma vez, o preço da concentração centralista. O desconchavo é tal que nem é preciso oposição, com os ministros a sacudirem a água para cima do capote de outro. Pelo meio, lá se discute um orçamento suplementar, como se fosse o último e cada medida como se fosse a única, sem que se perceba uma lógica que não a de apagar fogos, por crítica que seja. Fiquemos, porém, com uma nota final de otimismo à Galileu: e, no entanto, move-se!

Alberto Castro, economista e professor universitário

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