Opinião: António Saraiva

Desafios para o próximo ciclo político

Fotografia: REUTERS/Nacho Doce
Fotografia: REUTERS/Nacho Doce

Na perspetiva de um novo ciclo político que resultará das eleições de outubro, interessa antecipar os desafios que irão condicionar o futuro de Portugal nos próximos anos. Vencê-los é condição indispensável para atingir os objetivos da prosperidade e crescimento.

Nesta linha, identifico cinco grandes desafios:

O desafio da transformação digital e tecnológica, que exige mais investimento e profissionais qualificados.

O desafio da demografia, cujas tendências (em grande parte irreversíveis) terão um impacto profundo na economia e no mercado de trabalho, para além das suas repercussões na sustentabilidade dos sistemas de saúde e de segurança social.

O desafio dos mercados globais, sujeitos às ameaças da onda de protecionismo que hoje vivemos, mas onde as empresas se habituaram, contra todas as adversidades, a explorar oportunidades para crescer.

O desafio do endividamento, do Estado e das empresas, onde encontramos um forte constrangimento ao investimento.

O desafio ambiental e da exploração racional dos recursos, para o qual a sociedade está cada vez mais desperta e que só poderá ser vencido com as empresas.

É à luz destes desafios que devem ser delineadas as políticas públicas que nos podem conduzir ao crescimento que aspiramos.

Se queremos escapar ao determinismo das previsões e crescer a ritmos alinhados com a nossa ambição, é necessário sustentar o crescimento em bases mais sólidas e duradouras, consistentes com um modelo de economia competitiva, assente em setores abertos à concorrência internacional e que apresentam um maior potencial de ganhos de produtividade.

Todos os grandes desafios que identifiquei estão, aliás, profundamente relacionados com a produtividade.

O desafio da transformação digital e tecnológica oferece oportunidades que, se corretamente exploradas, potenciarão a sua evolução.

Os desafios da demografia e dos mercados globais, implicam que a competitividade, assente em aumentos da produtividade, seja condição indispensável para que as empresas cresçam e para que possam suportar aumentos salariais.

O desafio do endividamento está a dificultar a capacidade de o sistema financeiro redirecionar o crédito para os setores que apresentam um maior potencial de ganhos de produtividade, mas só através de ganhos de produtividade as empresas serão capazes de ultrapassar as suas debilidades financeiras.

O desafio ambiental, exigindo a exploração racional dos recursos, é também ele não só conciliável, mas potenciador de mais produtividade.

Podemos, assim, concluir que a produtividade é a variável mais importante para assegurar que Portugal pode alcançar a meta de um crescimento mais forte, mais sólido e mais duradouro.

Exige-se, pois, ao poder político que coloque a produtividade no centro das políticas públicas dos próximos quatro anos. Políticas focadas nas pessoas – finalidade e o mais importante fator de sucesso da economia, na competitividade – caminho para os nossos objetivos e na sustentabilidade – imperativo global que assumimos.

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