Opinião

Desafios para o Quadro Comunitário

FOTOGRAFIA: MÁRIO CRUZ/LUSA
FOTOGRAFIA: MÁRIO CRUZ/LUSA

Encontra-se em processo de negociação o novo pacote de fundos comunitários para o nosso país. O novo pacote de fundos comunitários vai ter um papel central na modernização da nossa economia e na mobilização da sociedade para novos patamares estratégicos de excelência nas diferentes áreas de actuação. Com o novo Quadro Comunitário Portugal terá que dar o salto para a fronteira da competitividade global e para tal, entre muitos outros, serão decisivos os seguintes cinco desafios:

1 – O DESAFIO DA INCLUSÃO SOCIAL – Um país moderno tem que saber integrar de forma positiva os seus cidadãos. A coesão social faz-se pela participação construtiva e tem que haver uma atitude clara de mobilização para esse esforço nacional de convergência de actuação. A educação na escola tem que forçar a pedagogia e a prática da integração dos desfavorecidos, imigrantes, todos aqueles com défices operativos de participação; têm que ser dinamizadas “acções de demonstração” do apoio à vontade do contributo de todos. O Novo Quadro Comunitário terá aqui uma importante palavra.

2 – O DESAFIO DA NOVA COMPETITIVIDADE – Está mais do que consolidada a mensagem da urgência da dimensão tecnológica na matriz de desenvolvimento nacional. Um Programa para a Competitividade e Internacionalização tem que forçar dinâmicas efectivas de aposta na tecnologia, seja ao nível a concepção de ideias novas de serviços e produtos, seja ao nível da operacionalização de centros modernos rentáveis de produção, seja sobretudo ao nível da construção e participação activa em redes internacionais de comercialização e transacção de produtos e serviços. É isso que se espera do Novo Quadro Comunitário.

3 – O DESAFIO DA EXCELÊNCIA TERRITORIAL – Portugal tem uma oportunidade única de potenciar um novo paradigma de cidades médias, voltadas para a qualidade, a criatividade, a sustentabilidade ecológica. Verdadeiros centros de modernidade
participativa, que façam esquecer a dinâmica asfixiante das “âncoras comerciais” que são os modernos shoppings que dominam o país. Um Programa Territorial para a Modernidade é vital para dar conteúdo estratégico à ocupação das cidades médias e à nova vontade de também saber apostar no interior. Também aqui o Novo Quadro Comunitário terá que fazer a diferença.

4 – O DESAFIO DA DIMENSÃO CULTURAL – Portugal tem uma forte cultura alicerçada no potencial histórico da língua. É um activo único. Um Programa Intelectual da Cultura Portuguesa tem que saber dinamizar de facto nos grandes circuitos internacionais a apetência pela prática e consumo dos muitos “produtos culturais” nacionais disponíveis. A “cultura da língua portuguesa” tem que ajudar na criação de valor para o nosso país e o Novo Quadro Comunitário deverá dar o seu apoio.

5 – O DESAFIO DA PARTICIPAÇÃO COLABORATIVA – Tudo passa por no principio e no fim saber estar e participar. Impõe-se para o Novo QREN uma cultura de participação colaborativa positiva. É assim que se faz a riqueza da matriz europeia. É assim que se tem consolidar a actuação dos grandes objectivos para este novo ciclo de fundos comunitários, em que a participação de todos será um elemento central de mobilização positiva.

Estes cinco “eixos estratégicos” constituem referenciais centrais duma Matriz de Modernidade Participativa e Operativa para o país e claramente que o Novo Quadro Comunitário deverá ser capaz de mobilizar os diferentes actores económicos e sociais para a sua convergência. O “Novo Paradigma” que se pretende para o país merece por isso pensamento estratégico mas sobretudo capacidade de monitorização sobre os efeitos da “aposta da excelência” no reforço da coesão nacional. Uma Agenda que se pretende voltada para o futuro!

* Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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