Dia Internacional contra a Corrupção

Celebra-se todos os anos a 9 de Dezembro o Dia Internacional Contra a Corrupção instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em Portugal o dia passa em geral desapercebido. Percebe-se. Infelizmente a luta contra a corrupção nunca foi uma prioridade das elites económicas governantes portuguesas.

Portugal que já no passado desbaratou, em grande parte devido à corrupção, avultadas somas de fundos europeus que o poderiam ter ajudado a modernizar-se, prepara-se agora para gerir uma nova avalanche de empréstimos europeus para relançamento da economia pós-covid sem estar preparado na frente do combate à corrupção.

Chamado à atenção pelas instâncias internacionais o Governo lançou rapidamente um documento inócuo a que chamou pomposamente Estratégia Nacional de Luta contra a Corrupção e que aponta como principal prioridade ensinar ética aos jovens a partir da mais tenra idade para que quando adultos não caiam em tentação.

É como se o Chefe dos Bombeiros vendo uma casa arder definisse como prioridade principal ensinar as crianças do jardim infantil do bairro que se não deve brincar com fósforos e não mobilizar os bombeiros e os autotanques para apagar o fogo.

Este ano o Dia Internacional Contra a Corrupção será assinalado por vários pequenos eventos a maioria dos quais organizados pela sociedade civil.

Destacamos no dia 9 de Dezembro pelas 19 horas a apresentação pública do livro "Ética e Integridade na Vida Pública" que reúne como oradores Susana Coroado da Transparência Internacional, o Professor

Óscar Afonso presidente do Obegef e Rute Serra que representará os organizadores do livro. É importante ver lado a lado as duas organizações, uma alemã com ramificações internacionais e a outra portuguesa, que mais têm contribuído para a reflexão e a análise do tema da corrupção no nosso país. Pode ser o prenúncio de uma cooperação frutuosa.

Mas mais do que assinalar uma efeméride o que Portugal precisa é de se preparar para o que aí vem. Se o dinheiro que ora nos chega tiver o mesmo destino que o dinheiro do Fundo Social Europeu e outros programas europeus o nosso país saíra desta crise no lote dos países mais pobres da Europa e teremos de novo a intervenção do FMI e/ou da Troika a impor os seus cortes no nível de vida dos portugueses e, no final, um Estado enfraquecido, um país minguado pela emigração e uma ainda mais população empobrecida. Para esse resultado previsível o melhor seria dispensar já os milhões da União Europeia. Melhor ainda seria ter uma estratégia séria e musculada de combate à corrupção.

Para já o Governo não parece ter aprendido as lições do passado.

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