Diga sim à vida: prevenir, para não remediar

Não se conseguindo abolir nem sequer bloquear a corrente de transmissão do agente viral, talvez se deva apostar na prevenção deste tipo de ocorrência.

Sem surpresa, a notícia mais marcante das últimas semanas é a pandemia provocada pelo vírus Covid-19. É natural que assim seja, pois a actual civilização, apesar de todos os progressos das últimas décadas e ao contrário do que muitos apregoavam, não estava minimamente preparada para uma infecção viral desta ordem que, num tempo recorde, circum-navegou o mundo e criou uma onda de devastação sanitária, social e económica.

Desde que se conhece a história da civilização humana que, pontualmente, surge um ataque pandémico, na maioria das vezes de causa viral com consequências demolidoras. No entanto, não é comparável o nível de salubridade, conhecimentos e higiene da actualidade com os tempos da Peste Negra, no século XIV, nem com a peste espanhola no dealbar do século XX. Há toda uma sociedade tecnologicamente mais avançada e apetrechada com os melhores cuidados de saúde.

Todavia, verifica-se que esses ganhos são ineficazes na erradicação destes surtos. A sua virulência é muito elevada com consequentes picos de mortalidade. Picos esses que se acentuam nos doentes mais idosos, grupo populacional reconhecidamente mais vulnerável. Numa avaliação observacional, porém, registam-se locais onde essa variável não é necessariamente uma fatalidade. Constatação esta que levanta a hipótese da interferência favorável de outros elementos na história natural da doença.

Ora, não se conseguindo abolir, nem sequer bloquear a corrente de transmissão do agente viral, talvez se deva apostar na prevenção deste tipo de ocorrência. Como em qualquer conflito, perante um ataque inesperado e forte do agressor, é avisado que o agredido organize rapidamente a sua protecção. É nesta abordagem que nos devemos centrar no actual contexto pandémico.

De facto, o corpo humano, pela maravilha da sua construção e perfeição da sua concepção, possui vários níveis de protecção. Desde a barreira exterior representada pela nossa pele, ao complexo sistema imunitário.

Contudo, na nossa actualidade, e paradoxalmente, essas mesmas defesas encontram-se comprometidas. Vários são os agentes causais. Desde a alimentação processada e artificial, ao stress contínuo, bem como à toxicidade ambiental e consequente disrupção hormonal, não esquecendo o excessivo sedentarismo numa sociedade individual e acelerada, entre outros. Reconhecendo os elementos nefastos desta equação, numa etapa seguinte, cumpre anulá-los, reforçando factores específicos para esse efeito.

Concretamente, esse desiderato pode ser alcançado através de uma abordagem multifactorial. Em particular, através de uma alimentação isenta de agentes inflamatórios, como o glúten e os derivados lácteos, reforçada por probióticos com exercício físico regular e uma suplementação adequada com vitaminas e oligoelementos em função das necessidades. A vitamina C é uma já conhecida aliada do nosso sistema imunitário. Mais recentemente, várias são as publicações científicas que associam também os níveis de Vitamina D produzida a partir da exposição solar ao reforço imunitário, em linha com o defendido, pioneiramente, entre nós, pelo Doutor Pinto Coelho. Adicionalmente, são já reconhecidos vários outros factores que concorrem no sentido do reforço do sistema imunitário.

No entanto, não basta apenas introduzir um elemento inovador, nem tão pouco alterar um velho hábito. Reforçar o sistema imunitário implica adoptar todo um novo estilo de vida, adquirir comportamentos saudáveis e persistir. Atitude essa hoje contra o Covid-19, amanhã e nos restantes 364 dias do ano a favor da sua vida, já que, recorde-se, para além do Covid-19, existem inúmeras doenças infecciosas mais mortíferas e um vasto leque de patologias oncológicas, inflamatórias, neurodegenerativas e cardiovasculares assentes numa quebra imunitária que teimam em aumentar de dia para dia.

É tempo de interiorizarmos, todos, individualmente e enquanto comunidade, que a nossa saúde depende em grande medida das nossas opções. E nós temos que ser responsáveis pelas nossas escolhas. Faça a sua, diga sim à vida e aposte na defesa do seu sistema imunitário. Porventura a melhor atitude a adoptar no tão proclamado “novo normal”.

Leonor Rodrigues Lopes é médica Neurorradiologista Graduada, mestre em Neurociências e doutorada em Medicina//Escreve de acordo com a antiga ortografia

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