Opinião

Digital para as pessoas

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A transformação digital trouxe uma cara lavada à Administração Pública que, nos dias que correm, é vista com outros olhos pelas pessoas e empresas.

Sim, eu sou do tempo em que constituir uma sociedade podia demorar meses, as receitas médicas eram em papel, havia cartões de contribuinte, do SNS e da Segurança Social, o livrete e o título de registo de propriedade, que não cabiam na carteira, eram obrigatórios e a declaração de IRS era antecedida da espera em filas intermináveis. Daquele tempo em que o Estado se confundia com uma torre inalcançável, sem degraus e cheia de alíneas complicadas, rodeada por muros de burocracia. Muito mudou, é verdade. Hoje vivemos a era do online, da desmaterialização e da viagem do papel para o ecrã. A Administração Pública já não é aquela torre. Hoje, envolta em SIMPLEX, perdeu altura e ganhou portas, que podem ser USB ou de abrir com chave móvel digital.

A transformação digital trouxe uma cara lavada à Administração Pública que, nos dias que correm, é vista com outros olhos pelas pessoas e pelas empresas e, acima de tudo, por si própria, consciente de estar focada em quem a procura. E também isso é resultado do SIMPLEX que, nas suas nove edições, garantiu mais proximidade, transparência e celeridade, provando que a tecnologia pode (e deve) ser posta ao serviço de todos. Assim, num caminho que, todos os dias, nos traz novas metas, o triângulo não perde força. Pelo contrário. Simplificar a vida das pessoas, criar um melhor ambiente para os negócios e contribuir para uma maior eficiência na Administração Pública continuarão a ser vértices de uma ação constante e com direção definida.

Três são também os eixos de uma transformação digital que, em tempos, aconteceu a várias velocidades e que, hoje, é equilibrada e transversal. Primeiro: temos os olhos postos no futuro e estamos atentos ao que acontece. Queremos testar, conhecer virtudes e riscos. Provas disso são, por exemplo, a exploração da tecnologia blockchain, no âmbito do sistema de votação do programa GovTech, e a aposta na Inteligência Artificial, evidente no concurso lançado para projetos científicos que possam ser realizados em conjunto com a Administração Pública. Um casamento perfeito que resultou em projetos como o que está a desenvolver um algoritmo para prever o risco de um novo desempregado se tornar um desempregado de longa duração ou o que pretende ajudar a detetar padrões anormais de prescrição de antibióticos.

Segundo: não podemos deixar de olhar para o que já existe, acompanhar, identificar oportunidades de melhoria e, se necessário, rasgar o feito e começar de novo. Os projetos evoluem e espelham o que acontece no contexto em que se inserem. E, como se costuma dizer, “nada dura para sempre”.

Terceiro: comunicar, comunicar muito e cada vez melhor. Pior do que não ter uma solução implementada é tê-la e esta não ser usada por desconhecimento da sua existência. Queremos que as pessoas tenham consciência das alternativas ao seu alcance e, acima de tudo, que recorram a elas e nos ajudem a melhorar e a criar mais.

Sim, a evolução acontece a cada instante. E a Administração Pública não quer perder tempo, nem deixar ninguém para trás. Distante da torre alta e isolada que um dia foi, hoje a Administração Pública é um espaço com paredes virtuais, mas onde ainda são as pessoas que fazem a diferença

Secretário de Estado Adjunto e da Modernização Administrativa

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