António Saraiva

Dignificar os empresários

António Saraiva, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. (Fotografia: Orlando Almeida/ Global Imagens)
António Saraiva, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. (Fotografia: Orlando Almeida/ Global Imagens)

Uma sociedade que ignora o papel fundamental das empresas está, a prazo, a empenhar as possibilidades de desenvolvimento

Um pouco por todo o mundo, os cidadãos encaram o futuro com um misto de desilusão e de medo. Estes sentimentos são propícios a um discurso antissistema e à ascensão de defensores de soluções populistas e extremistas, que alimentam a ideia de que os regimes democráticos e os sistemas de economia de mercado já não são capazes de responder aos anseios dos cidadãos.

Em Portugal, a nossa cultura faz-nos desconfiar do populismo e é, felizmente, pouco favorável a extremismos. Mas, também entre nós, está bem patente uma crise de confiança nas instituições.

Neste ambiente, facilmente as empresas são vistas como parte do sistema, abrindo-se o caminho a uma maior projeção de alguns sectores da sociedade portuguesa que persistem em difundir desconfianças e preconceitos contra os empresários.

Torna-se, assim, necessário insistir naquilo que nos pode parecer evidente, mas que é por vezes esquecido ou desvalorizado: a única via sustentável para gerar riqueza e, consequentemente, postos de trabalho, são as empresas. E sem empresários não há empresas, não há empreendedorismo e, consequentemente, não há emprego.

É preciso lembrar que, em Portugal, as empresas privadas são responsáveis por dois terços do emprego total e empregam mais de 80% dos trabalhadores por conta de outrem.

É preciso valorizar o papel essencial que os empresários desempenharam, e continuam a desempenhar, ao contrariarem os efeitos da crise e ao anteciparem e criarem as bases para o relançamento da economia, perseverando na adversidade e superando os desafios.

Os empresários portugueses, através do seu trabalho, da sua iniciativa e da sua criatividade, conseguiram criar, desde o início de 2013, mais de 460 mil postos de trabalho, em termos líquidos (no mesmo período, o trabalho por conta própria diminuiu, bem como o emprego público).

É preciso, também, evidenciar claramente que em Portugal o número de empresários não se esgota nos mediáticos dirigentes das poucas centenas de grandes empresas que operam no nosso país.

Existem centenas de milhares de responsáveis por micro, pequenas e médias empresas, que vivem dos frutos do seu trabalho e que arriscam e lutam, todos os dias, pela manutenção dos postos de trabalho que criam, prestando, tantas vezes, um apoio social insubstituível nas comunidades onde se inserem.

É preciso, ainda, cultivar na sociedade os valores do empreendedorismo e deixar, de uma vez por todas, de diabolizar o lucro como causa da pobreza. Sem lucro não é possível investir e acabar com essa mesma pobreza.

Uma sociedade que ignora o papel fundamental das empresas, que lhes nega condições para realizarem a sua função, está, a prazo, a empenhar as possibilidades de desenvolvimento e crescimento.

Do mesmo modo, uma sociedade que alimenta atitudes de desconfiança, de inveja ou de antagonismo face aos empresários está a comprometer o futuro e as possibilidades de criação de riqueza e, portanto, da sua posterior distribuição.

Valorizemos, pois, o mérito empresarial e dignifiquemos o papel do empresário na nossa sociedade.

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