Douro, Tâmega e Sousa, um território que une a tradição à inovação

No Norte de Portugal, entre a Área Metropolitana do Porto e Trás-os-Montes, situa-se o Douro, Tâmega e Sousa. São 11 os concelhos que dão corpo a este território - Amarante, Baião, Castelo de Paiva, Celorico de Basto, Cinfães, Felgueiras, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Penafiel e Resende - e são as suas paisagens que lhe traçam o perfil: heterogéneo, mesclando áreas urbanas, rurais e industriais, mas enleado pelos rios Douro, Tâmega e Sousa, pelo verde das serras do Marão, Aboboreira e Montemuro e por um legado cultural comum desde antes da fundação da nacionalidade.

Servida por excelentes acessibilidades rodoviárias - A4, A7, A11 e A42 -, e ferroviárias - Linha do Douro -, e a uma curta distância de 20 minutos do aeroporto do Porto e porto de Leixões, é também uma região marcada por um tecido empresarial com décadas de saber-fazer de excelência, que muito contribuiu para a primazia dos setores do calçado, mobiliário, têxtil e vestuário e metalomecânica, nos quais a incorporação de valor acrescentado aos bens produzidos é imperativo para competir no mundo globalizado.

Não obstante, também o seu tecido empresarial é revelador de singularidades, que sobressaem da análise de indicadores, como o PIB por habitante, o mais baixo a nível nacional (63,4%), bem como o índice de poder de compra, um dos menores do país (73,73%). Por outro lado, o território exporta mais do dobro do que importa - em 2021, as exportações ascenderam a 1,7 milhões de euros, enquanto as importações a apenas 808 milhões de euros -, sendo a NUT III do Norte com a taxa de cobertura das importações pelas importações mais elevada (210,34%, sendo de 76,51% em Portugal e 115,85% no Norte), apesar de 93,65% das suas empresas serem de pequena dimensão (38 575 microempresas em 41 191 empresas). Esta diferença entre importações e exportações é demonstrativa da resiliência das empresas da região e da sua capacidade produtiva.

Analisando os indicadores, e sabendo da influência dos fundos europeus nos mesmos, cabe-nos refletir sobre a necessidade de os direcionarmos cada vez mais para as empresas, sobretudo para o investimento em I&D, digitalização de processos e qualificação de recursos humanos, dos quadros intermédios aos altamente qualificados.

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa está ciente destas necessidades e da importância dos fundos europeus no atenuar das dificuldades das empresas e em criar condições mais favoráveis para o seu crescimento e afirmação no mercado. Assim, um dos grandes desafios da CIM do Tâmega e Sousa é o de promover a cooperação profícua entre entidades públicas - CIM, municípios, universidades e centros de investigação - e empresas, fomentando o desenvolvimento económico da região, mas também científico, especialmente no âmbito da investigação e criação de produtos inovadores.

Só com este trabalho em rede poderemos fomentar o created in Tâmega e Sousa, uma necessidade já incorporada na estratégia da CIM do Tâmega e Sousa para o próximo ciclo de programação comunitária, onde a promoção da investigação e inovação, alinhada com a perspetiva da União Europeia, mas centrada no território, nas suas potencialidades, nos seus recursos endógenos e tecido empresarial se manifesta crucial.

Foi com base na premissa created in Tâmega e Sousa que a CIM do Tâmega e Sousa estruturou vários projetos inovadores, como o Centro de Tecnologia e Inovação das Indústrias da Madeira e do Mobiliário, um avultado investimento que servirá as empresas deste setor estratégico.

A valorização dos recursos humanos é igualmente fundamental. Temos consciência da constante perda de mão-de-obra qualificada para os centros urbanos próximos, sendo este outro dos desafios a encarar. Reconhecemos que urge uma oferta formativa de qualidade, mais direcionada para a nossa realidade empresarial e que permita colmatar as necessidades da economia e das empresas, promovendo a fixação de jovens na região e a melhoria das suas condições de vida, mas também a revitalização deste território, tornando-o mais atrativo e competitivo.

É um facto que os fundos europeus têm tido um papel indiscutível no desenvolvimento desta região, quer pelos avultados investimentos estruturais quer pela aposta na educação e formação, mobilidade, ambiente e floresta, transição digital e energética, inclusão social, turismo e cultura. Continuamos, porém, a precisar de um reforço destes fundos, sobretudo para estimular o investimento e criação de valor acrescentado no tecido empresarial da região. Temos sensibilizado a tutela para a necessidade de uma discriminação positiva na distribuição dos fundos comunitários, tornando-a mais equitativa, com base nas necessidades, mas também nas potencialidades evidenciadas, permitindo, no futuro, um apoio mais consistente às empresas e principais indústrias exportadoras, e fomentando o crescimento de uma região com tradição empreendedora, mas que se quer mais coesa, competitiva e inovadora.

Telmo Pinto, primeiro-secretário da CIM do Tâmega e Sousa

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