Opinião

E agora banca?

(Leonardo Negrão / Global Imagens)
(Leonardo Negrão / Global Imagens)

O sector financeiro enfrenta tempos desafiantes. Com taxas de juro historicamente baixas, com a necessidade de modernizar e digitalizar e com a enorme concorrência das fintech e bigtech, a reinvenção torna-se uma questão de sobrevivência.

Esta semana assistimos à apresentação de resultados de grandes bancos, como o BPI, o Millennium BCP e a Caixa Geral de Depósitos, e com grandes lucros. Mas a pergunta que se impõe é: voltarão os resultados da banca a ser o que eram na época dourada, antes da grande crise financeira e de todos os colapsos que fizeram manchetes nos jornais nacionais e internacionais?

Resposta: dificilmente. Primeiro, porque chega de taxas, taxinhas e comissões sobre os clientes; segundo, porque as margens líquidas apertaram e muito; terceiro, porque as taxas de juro estão historicamente baixas e o presidente do Banco central Europeu, Mario Draghi, já anunciou que vai anunciar medidas de estímulo à economia lá para setembro e já se anteveem mais três a quatro anos de taxas de juro baixas e até negativas; e em quarto lugar, porque tudo isto vai exigir uma ginástica a que os bancos não estão muito habituados e que pode precipitar mais reestruturações, ou seja, despedimentos e fecho de balcões.

Perante tudo isto, Pablo Forero, presidente do BPI, já se mostrou preocupado com as indicações do BCE, afirmando que o banco central europeu está a dar “más notícias” para os bancos e que as políticas do BCE “penalizam a margem financeira”. O líder do BPI já percebeu que taxar o multibanco não é solução e é até “uma perda de tempo”, uma vez que a regulação não permite tais comissões e não será o BPI a mudar a lei, disse ironicamente.

Perante tudo isto, como vão os bancos reinventar-se e o que inventarão desta vez por forma a libertar mais margens no futuro? Esta é outra pergunta que se impõe. Claramente, o caminho terá de passar por cortar custos, procurar a qualidade elevada dos ativos, perseguir a liquidez e manter o foco nos rácios de eficiência. Este novo rumo fará, à força, a separação do trigo do joio.

Apesar dos muitos desafios, nem tudo são más notícias. Do lado das boas notícias, há a registar o facto de a Moody´s ter subido o rating da Caixa Geral de Depósitos, do Novo Banco, do Santander e do BCP; há o crescente negócio da venda da dívida pública soberana que tem estado a ajuda o sector financeiro; e, claro, há o período eleitoral que aí vem trazendo consigo novos investimentos públicos como será ao caso do novo aeroporto do Montijo. Curiosamente, em vésperas do mês de Agosto, é aprovado sem levantar muitas ondas nem passarinhos. Para os bancos é uma boa notícia, já que representa obras e pedidos de financiamento por parte de construtoras. É sangue novo que vai correr nas veias.

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