E agora, como vai ser o novo-novo-normal?

Em 2020, cerca de 300 mil pessoas deixaram a área metropolitana de Nova Iorque. Destes 300 mil, nem todos deixaram a cidade para sempre. Muitas destas pessoas decidiram deixar os apartamentos onde pagavam rendas elevadas, colocaram a mobília num armazém e partiram rumo às suas cidades ou países de origem. Outras decidiram passar a pandemia em destinos de férias, como praias e montanhas. A cidade que nunca dorme teve uma cura de sono forçada durante ano e meio. Andar em Manhattan era como andar numa cidade fantasma ou viajar na máquina do tempo até aos anos 80, quando Nova Iorque era uma cidade suja, degradada, com muitas lojas abandonadas e graffiti por todo o lado. Uma cidade em que, no estado normal, as ruas se enchem de turistas e de gente a ir para o trabalho, viu-se privada de ambos. Até ao final de abril, 90% dos escritórios estavam vazios devido ao trabalho remoto e não havia turistas, fruto da proibição à entrada no país de cidadãos que não fossem americanos.

O presidente da câmara de Nova Iorque, Bill de Blasio, lançou um pedido aos cerca de 80 mil funcionários municipais, para que voltem ao escritório no início de maio, em parte como um exemplo para que outros empregadores comecem a pedir o mesmo aos seus funcionários. Este sinal é visto como chave na recuperação da cidade, visto que as rendas dos escritórios representam uma parte muito importante nos rendimentos municipais. Já o governador Andrew Cuomo anunciou que a 1 de julho Nova Iorque voltará ao normal. Nesse dia a maioria das restrições relativas à covid irão ser levantadas.

As ruas começam a ficar cheias de novo e já se vê um ou outro turista perdido em Manhattan. Muitas das pessoas que deixaram a cidade entre março e dezembro do ano passado, estão a voltar gradualmente.

Ao dia de hoje, 60% dos nova-iorquinos receberam a primeira dose da vacina e 48% estão totalmente vacinados. Agora que as coisas começam a voltar ao normal, o que é que vai acontecer? Como é que vai ser o novo-novo-normal?

Numa entrevista à CNBC, Daniel Pinto, copresidente e diretor de operações do Chase Bank, disse: "A hipótese de voltar ao escritório com 100% das pessoas a tempo inteiro é zero. Tal como trabalhar de casa a tempo inteiro também tem zero hipóteses de acontecer." Muitas empresas de grande dimensão, como é o caso de Chase, Amazon, Microsoft, Spotify, Facebook, etc., estão-se a afastar do modelo de ter todos os funcionários no escritório cinco dias por semana. Fala-se no modelo híbrido/flex, no modelo 100% remoto ou no antigo - se bem que este não reúne muitos fãs. Segundo um estudo da Harvard Business School, mais de 80% dos Americanos não querem voltar ao escritório. Pais com crianças pequenas, são os que mostram mais desejo de voltar.

Na minha modesta opinião, tal como aconteceu com a pandemia, ninguém sabe como vai ser. Vai-se indo e vai-se vendo, mas quase de certeza que a forma como trabalhamos nunca mais vai ser como antes. Já vai havendo patrões que escutam aquilo que os funcionários querem, porque sabem que a produtividade está diretamente ligada à felicidade. Acredito que ainda haja por aí muito patrãozinho que queira ver todos funcionários no escritório, só para os controlar.

O futuro dirá que modelo irá prevalecer.

CCO e co-fundador da Atlantic New York

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