E agora Miranda?

Na sequência do ato eleitoral do passado domingo, em Miranda do Douro não ganhou apenas o PSD e o CDS. Ganhou acima de tudo Miranda, ganharam os Mirandeses. Ora os Mirandeses quiseram que ficasse Presidente da Assembleia Municipal. Esta instituição é onde se forma a vontade dos Mirandeses, de todos os Mirandeses, pelo que será a sede do poder municipal, do poder do povo, a casa da Democracia da terra de Miranda. E eu serei o garante da democracia em Miranda, da liberdade, de que a liberdade é um fim em si mesmo, sem entraves, sem consequências, sem perseguições, sem medo.

Aproveitando esta crónica, dirijo-me ao Povo de Miranda e digo-lhe que serei o seu mais fiel servidor, com coragem e determinação, sem querer mais nada que servir Miranda, despojado de todas as outras ambições. Procurarei ser firme como o granito da nossa Sé, duradouro como a nossa Língua milenar, trabalhador como o mais determinado agricultor que todos os dias, de sol a sol, arranca da terra a riqueza que a todos nos beneficia. Foi assim que me formei, foi isso que recebi dos meus pais e dos meus antepassados, Sendineses-Mirandeses de alma e de paixão, que todos os dias me inspiram.

E em nome do Povo que me elegeu e passarei a representar, quero dirigir-me a cinco entidades. Primeiro, ao Movimento Cultural da Terra de Miranda. Que grande lição de patriotismo nos deram, que coragem, que sabedoria. E que orgulho a Terra de Miranda, que diziam pobre, longínqua e pequena, ter tão ilustres filhos. Sois uma inspiração e seguirei o vosso exemplo. Permanecei independentes, apartidários, mas trabalhem connosco, numa aliança estratégica que nos levará à vitória. Estou de acordo com tudo o que defendeis e a partir de agora a Assembleia Municipal estará sempre convosco. Seremos imparáveis.

Segundo, à EDP quero dizer que tudo faremos para que pague o que deve, até ao último cêntimo. O município utilizará todos os meios legais ao seu alcance para que a EDP pague impostos como o mais humilde dos Mirandeses, e para que nunca mais nos trate com menosprezo, como fez no passado. Se pensam que os Mirandeses são submissos e conformados, estão completamente enganados.

Terceiro, à Movhera e à Engie, quero dizer que não aceitaremos mais a atitude extrativa que a EDP sempre teve. Uma parte significativa dos elevados lucros que extraem do nosso rio e dos nossos recursos naturais, tem que ser aqui investida. Têm que criar emprego qualificado no nosso município e, desde já, para começar, têm que instalar aqui, não só a sua sede, como a sua direção efetiva. E não pensem em dar emprego, direta ou indiretamente, a ex-governantes, locais, regionais ou municipais. Se o fizerem, isso significa que os tinham ao vosso serviço e não ao serviço do povo, enquanto exerciam os seus cargos. Se o fizerem, terão o nosso mais firme repúdio.

Quarto, ao Estado Português, quero dizer que desde janeiro deste ano que deveria estar a transferir, mensalmente, para os cofres do município, 7,5% o IVA da eletricidade produzida pelas nossas barragens. O município responsabilizará pelo incumprimento dessa lei, o Estado e os governantes que são responsáveis por este grave incumprimento. Gostaria também dizer ao Governo que o Estado tem que se fazer respeitar no negócio das barragens e que tudo faremos para que aqueles que nos traíram paguem por isso. Quero ainda dizer que o modelo de partilha dos impostos gerados pelas barragens é injusto, impróprio de um país civilizado e tem que ser substituído rapidamente. Somos conscientes dos direitos que temos de receber uma parte significativa dessa riqueza e dele nunca abdicaremos. Finalmente, a partir de agora, o município fala com o Governo, e com todos aqueles que se julgam poderosos, de igual para igual, sem medo, nem subserviências, nem abraços a traidores.

Ao Partido Socialista local, aos nossos opositores e a todos os Mirandeses que não votaram em nós, quero dizer-lhes que contamos com todos, a todos ouviremos e com todos queremos trabalhar, com lealdade, frontalidade e liberdade. A partir de agora tudo faremos para unir todos os Mirandeses, para trabalhar com os melhores, independentemente da sua sensibilidade política, partidária ou outra. Contamos com todos, com humildade e sentido de serviço público.

Estas foram as mais importantes eleições de Miranda na Democracia, ireis ver. A nossa gestão autárquica será inclusiva, participativa e necessita de todos. Não temos a pretensão de ser donos da verdade e precisamos de todos. Não queremos protagonismos pessoais nem vaidades nem narcisismos. Seremos uma equipa aberta a todos, procuraremos sempre a participação de quem queira servir a nossa Terra, porque só assim Miranda terá progresso e prosperidade, só assim serviremos o Povo de Miranda.

Óscar Afonso, docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto e sócio fundador do Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF)

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