É apenas um pouco tarde?

Os resultados não mentem: desde o início deste século, o País quase estagnou. A presente década será decisiva: Portugal terá forçosamente de alterar a sua abordagem para alcançar sucesso económico.

As mudanças que impactarão a economia portuguesa nos próximos anos - as sequelas da covid-19, o brexit, as alterações climáticas e a transição net zero, o declínio demográfico e o envelhecimento da população, a evolução tecnológica acelerada - carecem de ser bem geridas, garantindo apoio, durante o processo, aos que por ele forem penalizados. Estes choques tenderão a redefinir o contexto socioeconómico - um contexto que, não obstante alguns pontos positivos (mortalidade à nascença, abandono escolar, esperança de vida), tem sido marcado, entre outros, por um padrão de vida estagnado, alto desemprego juvenil, elevada desigualdade, baixos investimentos e produtividade. Se queremos evitar mais uma década de crescimento anémico que deixaria a nação debilitada e dividida, campo fértil para os populismos, torna-se necessária uma estratégia partilhada para a reconstrução da economia.

O que acabei de escrever é a tradução, quase literal, da apresentação de um relatório que marca o lançamento do The Economy 2030 Inquiry, um projeto envolvendo a London School of Economics e a Reconstruction Foundation. Sim, enunciado em termos gerais, o nosso é um desafio partilhado com muitos outros países. No caso do Reino Unido, o encargo é uma "conversação" a dois anos sobre o futuro da economia, juntando investigação rigorosa, debate público e propostas concretas de mudança para ajudar o País, e os seus políticos, na definição de uma reforma económica para um crescimento forte, sustentável e justo.

Dois anos?! Têm de aprender connosco! Mais a sério: pretender que a discussão que precedeu o PRR foi suficiente para dela emanar uma estratégia coerente, e considerar o assunto encerrado, é um erro que se pagará caro. Ou será que, como diria o Pina, "Ainda não é o fim/nem o princípio do mundo/calma/ é apenas um pouco tarde"? Oxalá!

Alberto Castro, economista e professor universitário

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