Opinião: João Almeida Moreira

E o comunismo cresce no Brasil

Fotografia: REUTERS/Adriano Machado
Fotografia: REUTERS/Adriano Machado

Com Bolsonaro, o comunismo cresceu como nunca no Brasil.

Irmãos Metralha é o nome em português da quadrilha cujo objetivo é assaltar o cofre do Tio Patinhas, ambos personagens da Disney. Petistas é como são chamados os membros do Partido dos Trabalhadores (PT). Juntando os dois nomes, o jornalista brasileiro Reinaldo Azevedo criou o neologismo “petralha”, que daria origem até a um livro, “No País dos Petralhas”. Anos a fio, Azevedo foi considerado o ponta-de-lança da oposição ao PT, a Lula da Silva e a Dilma Rousseff na imprensa.

Pois, Reinaldo Azevedo, depois de outros tantos anos a denunciar arbitrariedades da Lava-Jato, juntou-se nos últimos dias ao site The Intercept Brasil na divulgação de mensagens em que o juiz Sergio Moro se revela parcial no processo contra Lula.

Vem sendo acusado de esquerdista.

Durante metade da carreira, o juiz do Supremo Gilmar Mendes foi alvo do ódio do PT – e a inversa também é verdadeira – por ser o maior defensor do seu rival eleitoral, o PSDB, dos seus amigos pessoais Fernando Henrique Cardoso, de quem foi ministro, Aécio Neves, José Serra e outros.

Hoje, é um dos membros da corte mais empenhados em denunciar os desvios de conduta de Moro e em soltar Lula e outros presos.

Grupos de direita lançam teorias da conspiração sobre ligações perigosas à esquerda entre o juiz e o antigo presidente que tanto se combateram.

O historiador Marco Antônio Villa chamou o candidato do PT Fernando Haddad de “medíocre” a meio das últimas eleições e comemorava cada “mêsversário” da prisão de Lula, a quem nunca escondeu aversão, na rádio mais à direita do país, a Jovem Pan.

Às vésperas dos atos de 26 de maio em louvor a Jair Bolsonaro – patrocinados pelo próprio Jair Bolsonaro – afirmou aos microfones que “o presidente não tem compostura, não tem preparo, não tem articulação política, reforça a crítica ao parlamento, estimulando atos neonazis, que são claramente no sentido de fechar o Supremo, fechar o Congresso e impor a ditadura”.

Acabou despedido da rádio.

Outra colaboradora da mesma emissora, Rachel Sheherazade, cristã devota, liberal ferrenha na economia e simpática à máxima muito cara na extrema-direita brasileira de que bandido bom é bandido morto, tornou-se crítica do bolsonarismo, gritando nas redes que criava dois filhos sozinha, logo após o vice-presidente Hamilton Mourão dizer que famílias sem referências masculinas são “fábricas de desajustados”.

Também se manifestou contra os projetos do governo que amolecem as leis de trânsito, num país onde de 15 em 15 minutos morre alguém na estrada.

Desde então, anunciantes do SBT, onde também trabalha, pressionam pelo seu despedimento, e aconselham-na a trabalhar na Cuba Visión.

Há ainda cantores, atores, realizadores de cinema, ativistas sociais e até deputados do partido do presidente, que foram fanáticos pro-impeachment de Dilma e que ainda acham Lula o demónio, que estão assustados com o combinado de incompetência e fanatismo do governo Bolsonaro.

São chamados de traidores. Ou de comunismo. Ou das duas coisas ao mesmo tempo.

Com Bolsonaro, o comunismo, ou pelo menos os acusados da ideologia tão em desuso no mundo, cresceu como nunca no Brasil. Nem os EUA, no tempo do macarthismo, tinha tanto comunista. Se calhar, nem a União Soviética dos tempos áureos.

Aliás, como segundo sondagem do Ibope, maior instituto de pesquisas do país, só 32% aprovam o governo – em janeiro eram 49% – e outros 32% o classificam de mau ou péssimo – em janeiro eram 11% – os comunistas são hoje dois terços da população. Ou então é o Ibope que é comunista.

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