E que tal rever o fairplay financeiro?

O futebol não poderia ficar imune à covid e a UEFA sabe-o. A ausência de público afeta muito a captação de receitas de matchday (bilheteira, lugares anuais e corporate), merchandising (pelo peso das vendas em dias de jogo) e, porventura, de patrocínios (em função da redução da atividade económica global).
Faz por isso sentido que a UEFA altere as regras do fairplay financeiro, na medida em que a aplicação dos indicadores e rácios anteriormente usados tornar-se-ia inviável, designadamente pelo crescimento previsível do número de clubes em incumprimento. A extinção, porém, seria um erro: o fairplay financeiro induz boas práticas de gestão, impondo mecanismos de controlo que, de outra forma, dificilmente resistiriam à miopia do proto sucesso desportivo imediato.
Com a experiência de alguns anos e a pandemia por cima, talvez esta seja uma boa oportunidade para a UEFA rever as regras introduzidas em 2010.

Por exemplo, fará sentido que um clube com capitais próprios robustos (acima do capital social), esteja limitado a um breakeven, num triénio, de apenas 5 milhões negativos? Não me parece. E mais importante do que a adequação dos indicadores e rácios é abolir as regras inibidoras a que um qualquer magnata tente "comprar" títulos. Lembro que o fairplay financeiro surgiu também em reação ao crescimento galopante do Chelsea e outros.

Ao contrário do muitas vezes sugerido, a existência de clubes "novos-ricos" é desejável - estimula a competitividade (e os "odiados" despertam mais interesse - ganhar-lhes torna-se um desígnio). Muitos dos clubes hoje considerados aristocráticos cimentaram esse estatuto na sequência de investimentos desmesurados em tempos idos, não necessariamente muito distantes. De novo o Chelsea: hoje, pouco se contesta o efeito Abramovich.
Mesmo que o súbito "fecho da torneira" traga riscos, os limites aos suprimentos merecem mais folga e as injeções de capital travestidas de patrocínios deviam ser permitidas. No limite, o maior investimento beneficia a indústria do futebol no seu todo. Esta deveria ser a prioridade da UEFA.

Gestor e autor

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de