Opinião: Rosália Amorim

E se 90% do mundo andar a passo de caracol?

Kristalina Georgieva,, FMI
(EPA/ERIK S. LESSER)
Kristalina Georgieva,, FMI (EPA/ERIK S. LESSER)

No seu primeiro discurso logo avisou que o Fundo Monetário Internacional vai cortar nas previsões de crescimento.

A nova diretora geral do FMI entrou a matar! Uma coisa é afirmar que a economia precisa de estímulos, como tem vindo a alertar o Banco Central Europeu (BCE), outra bem diferente é dizer, com todas as letras, que a economia está “fraturada”. A expressão foi usada hoje pela nova diretora geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva.

No seu primeiro discurso logo avisou que o Fundo Monetário Internacional vai cortar nas previsões de crescimento. Em boa parte a culpa é da luta entre Trump e Xi, ou melhor, a guerra comercial instalada entre os Estados Unidos da América e a China. A instituição mundial receia que este duelo de gigantes possa destruir qualquer coisa como 640 mil milhões de euros em toda a economia mundial. E se assim for estamos a falar do equivalente “a economia de toda a Suíça”, comparou.

O assunto é sério. “Hoje tudo está pior do que há dois anos”, alertou, sem papas na língua. Se há apenas dois anos a economia global estava em fase de recuperação, agora está a abrandar.”Em 2019 esperamos um crescimento mais lento em quase 90% do mundo”.

Se o passo de caracol se instalar a nível global, então o crescimento económico deste ano poderá ser o menor da década. Estas não são as melhores notícias para nenhum mercado, muito menos para Portugal, quer em termos económicos quer em termos políticos. A senhora toda poderosa do FMI já avançou que para a semana vai divulgar o World Economic Outlook e que o quadro não será cor de rosa: “trará revisões em baixa para 2019 e 2020”.

Como uma nova legislatura prestes a arrancar, os desafios agigantam-se para o primeiro-ministro reconduzido, António Costa. Além de muita ginástica à direita e sobretudo à esquerda, vai ser preciso fazer o pino para encontrar o ponto de equilíbrio com o mundo.

Leia aqui: Porque estão as economias europeias a ficar japonesas?

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